Gaddafi ameaça invadir Benghazi 'sem misericórdia nem piedade'

O líder líbio Muammar Gaddafi ameaçou na quinta-feira invadir "sem misericórdia nem piedade" a cidade de Benghazi, segunda maior do país e reduto do movimento rebelde que tenta derrubá-lo.

MARIA GOLOVNINA E PATRICK WORSNI, REUTERS

17 de março de 2011 | 21h06

"Vamos chegar rua a rua, casa a casa, quarto a quarto", disse Gaddafi em um pronunciamento por rádio dirigido a Benghazi, que fica no leste do país.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) autorizou na noite de quinta-feira uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, o que poderá aumentar drasticamente o envolvimento internacional militar no conflito.

A TV Al Jazeera mostrou milhares de moradores em uma praça central da cidade, celebrando o resultado da votação da ONU. A multidão agitava as bandeiras tricolores que identificam a oposição, gritavam palavras de ordem contra o governante e soltavam rojões.

Gaddafi já havia alertado que só quem depuser suas armas será poupado da vingança imposta aos "ratos e cães."

"Acabou. Está decidido. Estamos chegando hoje à noite (quinta-feira)", disse Gaddafi, cujas tropas estão a cerca de cem quilômetros da cidade. "Vamos encontrá-los dentro dos seus armários. Não teremos misericórdia nem piedade."

O Conselho de Segurança aprovou uma resolução impondo uma zona de exclusão aérea para impedir Gaddafi de usar sua aviação contra os civis e rebeldes, e também autorizou "todas as medidas necessárias", ou seja, a ação militar, para proteger os civis.

Mas o tempo claramente está se esgotando para os rebeldes de Benghazi, cidade com 670 mil habitantes. Moradores disseram que a aviação de Gaddafi realizou três bombardeios na quinta-feira, e que houve violentos combates na estrada costeira pela qual as tropas do governo avançam.

O chefe do Conselho Nacional instituído pelos rebeldes em Benghazi, Mustafa Abdel Jalil, disse à Al Jazeera que os bombardeios estrangeiros seriam essenciais para conter as forças de Gaddafi.

"Estamos firmes. Não vamos nos intimidar por mentiras e acusações ... Não aceitaremos nada senão a libertação em relação a esse regime", afirmou ele.

Muita gente no mundo árabe considera que uma vitória de Gaddafi sobre os rebeldes representaria um ponto de inflexão na atual onda de rebeliões da região, que já levou à derrubada dos governos da Tunísia e Egito, e motiva protestos também no Barein, Iêmen e outros países.

No fim da noite de quinta-feira, as comunicações telefônicas e por Internet com Benghazi pareciam ter sido interrompidas.

(Reportagem adicional de um repórter da Reuters em Benghazi; de Michael Georgy, em Trípoli; de Mariam Karouny e Tarek Amara, na Tunísia; de Louis Charbonneau e Patrick Worsnip, na ONU; e de John Irish, em Paris)

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