Gaddafi desafia Ocidente ao enviar tropas para Benghazi

As tropas de Muammar Gaddafi invadiram neste sábado a cidade de Benghazi, dominada por rebeldes, desafiando as exigências mundiais de um cessar-fogo imediato e forçando os rebeldes a recuar.

MOHAMMED ABBAS, REUTERS

19 de março de 2011 | 10h57

O avanço na segunda maior cidade da Líbia, com 670 mil habitantes, pareceu ser uma tentativa de se antecipar à intervenção militar do Ocidente que, de acordo com declarações de diplomatas, acontecerá apenas depois de uma reunião internacional que acontece Paris neste sábado.

Um porta-voz dos rebeldes disse que as forças de Gaddafi entraram em Benghazi enquanto uma testemunha da Reuters viu um avião que sobrevoava a cidade ser derrubado e pelo menos uma outra explosão na cidade, perto do rebelde Conselho Nacional.

"Eles entraram em Benghazi pelo oeste. Onde estão as forças do Ocidente? Eles disseram que atacariam em poucas horas," disse Khalid al-Sayeh, à Reuters.

Gaddafi disse que as potências do Ocidente não tinham direito de intervir.

"Isso é uma injustiça, é uma agressão clara", Gaddafi teria escrito numa carta para França, Grã-Bretanha e as Nações Unidas, segundo o porta-voz do governo, Mussa Ibrahim. "Vocês vão se arrepender se interferirem em nossos assuntos internos."

O governo líbio culpou os rebeldes, que ele diz serem membros da al Qaeda, por quebrarem o cessar-fogo em Benghazi.

Os rebeldes disseram que estavam sendo forçados a se retirar da periferia de Benghazi mas, mais tarde, depois de repelir os avanços, declararam vitória, como já fizeram anteriormente, em outras cidades que eventualmente perderam para as tropas do governo.

Algumas horas depois do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dizer que os termos de uma resolução militar da ONU para pôr fim aos conflitos na Líbia não podiam ser negociados, sua enviada à ONU, Susan Rice, respondeu à rede de TV norte-americana CNN ao ser perguntada se Gaddafi estava violando esses termos: "Sim, ele está".

Obama deixou claro que qualquer ação militar teria o objetivo de mudar o cenário em toda a Líbia e não apenas no leste, nas áreas controladas pelos rebeldes, exigindo que as tropas de Gaddafi se retirem das cidades de Zawiyah e Misrata, ao oeste. "Todos os ataques contra civis devem parar," disse Obama, um dia depois do Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução para intervenção militar internacional.

"Gaddafi precisa interromper o avanço de suas tropas em Benghazi, retirá-las de Ajdabiya, Misrata e Zawiyah e restabelecer o fornecimento de água, energia elétrica e gás para todas as áreas", acrescentou o presidente norte-americano. "Assistência humanitária também deve ser autorizada a chegar a toda a população da Líbia".

"Deixe-me ser claro, esses termos não são negociáveis... se Gaddafi não aceitar... a resolução será imposta com uma ação militar."

Mais cedo, tropas do governo líbio dispararam artilharia pesada na cidade de Misrata, que está em poder dos rebeldes e franco-atiradores pró-Gaddafi mataram duas pessoas na cidade. O fornecimento de água ainda não havia sido restabelecido, disseram os residentes.

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