Gaddafi descarta negociação e comício enfatiza divisão na Líbia

O líder líbio Muammar Gaddafi descartou na quinta-feira a possibilidade de negociar com os rebeldes que tentam derrubá-lo, gerando dúvidas sobre as chances de sucesso do Ocidente em mediar um fim para o conflito.

MISSY RYAN, REUTERS

21 de julho de 2011 | 20h17

"Não haverá diálogo entre mim e eles até o Dia do Juízo", disse Gaddafi numa transmissão de áudio a milhares de simpatizantes em Sirte, sua cidade natal. "Eles precisam dialogar com o povo líbio ... e a eles que responderão."

O comício nessa pacata cidade litorânea atraiu homens com bonés verdes, mulheres agitando bandeiras e crianças com slogans pró-Gaddafi pintados no rosto, e mostrou como a Líbia pode estar distante de um fim negociado para o conflito que já dura cinco meses.

Com a aproximação do mês islâmico do ramadã, quando os confrontos armados devem parar, nem os rebeldes nem as forças de Gaddafi parecem ter uma vantagem decisiva.

Desde março, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ajuda os rebeldes com bombardeios aéreos, mas isso não foi suficiente para permitir avanços significativos. Diante de uma campanha militar mais custosa e demorada do que o previsto, os governos ocidentais parecem agora se empenhar em uma solução negociada.

Na quarta-feira, a França disse que Gaddafi poderia permanecer na Líbia caso renuncie ao poder, que ocupa há 41 anos. Os EUA dizem que Gaddafi deve abdicar, mas que caberá ao povo líbio decidir se ele poderá ou não ficar no país. A União Africana também propôs negociações.

Mas, no pronunciamento de quinta-feira, Gaddafi pareceu confiante sobre suas chances de vitória sobre os rebeldes e sobre o Ocidente.

"Então a batalha está decidida em favor do povo. A Otan não pode de jeito nenhum derrotá-los; eles serão derrotados e vão fugir."

O governo levou jornalistas estrangeiros de ônibus para ver o comício em Sirte, onde simpatizantes erguiam fotos gigantescas do dirigente e gritavam palavras de ordem exaltando sua lealdade. Depois, jovens dispararam armas e soltaram fogos de artifício, iluminando o céu noturno.

Muitos participantes também faziam questão de demonstrar sua revolta contra a interferência estrangeira no país. "O Ocidente está realmente piorando as coisas (ao ajudar os rebeldes)", disse o engenheiro petrolífero Jamal Allafi, que leciona na universidade local.

"Eu choro com tudo isso. (Os rebeldes) são nossos irmãos, mas nós temos razão, nosso líder tem razão, e seremos vitoriosos", afirmou a universitária Iman Hussein, que usava no pulso um relógio com a imagem de Gaddafi vestindo farda.

Como muitos outros participantes do comício, ela disse que a riqueza petrolífera líbia é a verdadeira razão por trás do envolvimento ocidental a favor do movimento rebelde. "É impossível dividir este país. As pessoas que desejam isso não são líbias."

(Reportagem adicional de Lutfi Abu-Aun, em Trípoli)

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