Gaddafi diz que manifestantes estão sob efeito de drogas

O líder líbio, Muammar Gaddafi, culpou nesta quinta-feira o dirigente da Al Qaeda, Osama bin Laden, pela revolta contra seu governo e disse que os manifestantes estão sendo instigados por leite e Nescafé misturados com drogas alucinógenas.

REUTERS

24 de fevereiro de 2011 | 13h46

Gaddafi, que apenas dois dias antes prometera em um discurso divulgado pela TV esmagar a revolta e lutar até o fim, não demonstrou desta vez a mesma ira daquele pronunciamento.

Ele falou desta vez para a TV estatal, por telefone, sem aparecer, e adotou um tom que parecia mais conciliatório, num momento em que boa parte da Líbia está fora de seu controle.

"Eles têm 17 anos. Deram a eles pílulas à noite, colocaram pílulas alucinógenas em suas bebidas, seu leite, seu café, seu Nescafé", disse Gaddafi.

"São criminosos... é lógico que vocês deixem esse fenômeno continuar em qualquer cidade?... Nós não veremos na Líbia o que está acontecendo no Egito e na Tunísia, nunca!".

"Aqueles (no Egito e Tunísia) são pessoas necessitando de um governo e que têm reivindicações. Nosso poder está nas mãos do povo", declarou, em uma típica referência a seu peculiar regime, que ele diz ser baseado no poder concedido diretamente pelo povo.

Nas declarações feitas à TV, Gaddafi acusou Bin Laden de manipular os cidadãos da Líbia, que tomaram o controle de regiões do país.

"(Osama bin Laden) é o verdadeiro criminoso", disse Gaddafi por telefone à TV líbia. "Não se deixem influenciar por Bin Laden."

O líder líbio, que está há mais de 40 anos no poder, afirmou que os manifestantes estão lutando entre si.

Gaddafi disse ainda que, como líder do país, somente ele tem "autoridade moral". Também ofereceu condolências por aqueles que foram mortos nos confrontos e pediu calma à população. Mas afirmou que nenhuma pessoa "sã" iria se unir aos manifestantes contra ele e fez um chamado aos cidadãos líbios para que tomem as armas daqueles que estão protestando.

"O que está acontecendo em Zawiyah é uma farsa... Homens sãos não entram numa farsa como essa", afirmou, referindo-se aos violentos confrontos que estavam ocorrendo na cidade de Zawiyah, situada a apenas 50 quilômetros de Trípoli, a capital da Líbia.

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