Gaddafi ficará na Líbia 'até o fim', diz porta-voz

O líder líbio, Muammar Gaddafi, permanecerá no país "até o fim" para conduzi-lo à vitória contra seus inimigos, disse um porta-voz do governo nesta quinta-feira.

REUTERS

31 Março 2011 | 10h32

Falando após a deserção do ex-ministro das Relações Exteriores da Líbia, Moussa Koussa, que voou para a Grã-Bretanha na quarta-feira, o porta-voz disse que os ataques aéreos ocidentais contra a Líbia só uniram a elite de sua liderança contra "um inimigo claro".

"Se esta agressão fez algo, foi reunir as pessoas em torno do líder e da unidade da nação", declarou Mussa Ibrahim em Trípoli. "Especialmente agora. Elas vêem um inimigo claro".

Indagado se Gaddafi e seus filhos ainda estão no país, ele disse: "Tenha a certeza de que estamos todos aqui. Iremos ficar até o fim. Este é nosso país. Estamos fortes em todos os frontes".

Ele acrescentou: "Não estamos nos apoiando em indivíduos para conduzir a luta. Esta é uma luta de toda a nação. Não depende de indivíduos ou autoridades."

Ibrahim se recusou a comentar a deserção de Koussa, dizendo que haverá um pronunciamento formal do governo ainda na quinta-feira.

"Temos milhões de pessoas conduzindo esta luta. Se alguém se sentir cansado, doente ou exausto, se quiserem tirar um descanso, acontece. Não estou confirmando nada," disse.

Ibrahim desdenhou insinuações de que os ataques aéreos da coalizão fizeram a balança pender a favor das forças rebeldes que combatem as tropas de Gaddafi, ou encorajaram pessoas comuns a buscar mudanças após as quatro décadas de governo de Gaddafi.

"Mesmo com o bombardeio aéreo de cada cidade líbia, você não vê pessoas saindo em massa para exibir qualquer mudança," declarou. "Onde está a revolução popular? Onde estão as tribos saindo e dizendo ao seu líder: 'Saia do país'? É preciso ler os sinais."

(Reportagem de Maria Golovnina)

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