Ganância e inveja contaminam família de Gaddafi--WikiLeaks

Ganância, inveja e ambição contaminaram as relações na família do líder líbio, Muammar Gaddafi, e muitas vezes destruíram a carreira das autoridades que se colocaram no caminho, de acordo com os despachos diplomáticos norte-americanos publicados pelo WikiLeaks.

ELIZABETH PI, REUTERS

24 de fevereiro de 2011 | 15h07

Os cinco filhos de Gaddafi citados nas avaliações diplomáticas usaram ameaças e, às vezes, violência para que seus interesses comerciais e políticos se dessem bem no país, que é um grande exportador de petróleo.

"Embora a rivalidade destrutiva não seja uma novidade nas famílias reconhecidamente turbulentas, a recente escalada nas tensões ocorre durante um período particularmente significativo", disse um relatório diplomático datado de março de 2009, pouco antes das comemorações no país pelos 40 anos da revolução que levou Gaddafi ao poder.

A família opera agora como uma unidade coesa contra a insurreição que ameaça pôr fim ao governo de Gaddafi, mas os relatórios norte-americanos documentam uma divisão entre o segundo filho mais velho de Gaddafi e suposto herdeiro, Saif al-Islam, e quatro de seus irmãos.

Eles mencionam diversas autoridades que tiveram de renunciar, foram enviadas para o exterior ou foram demitidas por se recusarem a atender às exigências dos filhos, por não conseguir mantê-los em ordem ou apenas por se tornarem muito próximos de uma ou outra das alas familiares.

O presidente da Corporação Nacional de Petróleo renunciou logo depois de negar um pedido de 1,2 bilhão de dólares feito pelo conselheiro de segurança de Gaddafi, o quarto filho mais velho, chamado Mutassim, para criar uma unidade de segurança própria.

Ele temia que Mutassim quisesse se vingar.

Mutassim, que pagou 1 milhão de dólares para a cantora pop norte-americana Mariah Carey cantar quatro canções numa festa de ano-novo no Caribe, também teve negado um pedido de comprar armas e outros equipamentos militares, disse o embaixador da Sérvia na Líbia, segundo relatos.

A avaliação dele é que Mutassim não era "muito inteligente" e era um "homem sanguinário."

Abdullah Sanussi, ex-diretor de inteligência militar que exercia papel de guarda-costas, caiu por não conseguir manter na linha o "rebento mais problemático de Gaddafi".

Sob a guarda dele, outro filho do líder líbio, Hannibal, foi preso na Suíça sob a acusação de maus-tratos contra duas empregadas domésticas e o terceiro filho mais velho de Gaddafi, Saadi, foi para Roma contra a vontade do pai.

"O resultado da solicitação de dinheiro por Mutassim, da prisão de Hannibal e do passeio de Saadi foi...uma reunião de família", disse. "(Gaddafi) teria decidido a reduzir o papel de Sanussi e convocar sua filha, Aisha al-Gaddafi, para a tarefa de monitorar as atividades" dos irmãos. Os filhos não temiam recorrera à violência.

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