Garantir direitos a refugiados palestinos reduzirá militância, diz ONU

Militantes palestinos são responsabilizados por uma série de ataques contra o órgão no Líbano

Reuters

25 de junho de 2010 | 14h58

BEIRUTE - Um projeto de lei para garantir aos refugiados palestinos no Líbano os direitos civis básicos promoverá o senso de dignidade e de bem-estar deles, reduzindo a militância nos campos de refugiados pelo país, afirmou nesta sexta-feira, 25, o diretor da agência da ONU para Refugiados Palestinos no Líbano, Salvatore Lombardo.

 

Lombardo também afirmou que a legislação trata apenas da garantia dos direitos humanos aos palestinos, e não de promover a naturalização deles --assunto delicado que suscita temores de que afete um precário equilíbrio sectário.

 

Atribui-se a militantes palestinos uma série de ataques contra integrantes das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano, o disparo de foguetes contra Israel a partir do Líbano -mais recentemente durante a ofensiva em Gaza - e a formação de células inspiradas na Al-Qaeda dentro dos campos de refugiados.

 

Cerca de 425 mil palestinos estão registrados como refugiados no Líbano pela agência da ONU, que lhes fornece serviços. Muitos desses palestinos vivem em 12 campos espalhados pelo país em condições descritas por Lombardo como deploráveis e pavorosas. Eles são descendentes de famílias que fugiram ou foram forçadas a fugir durante os combates para a criação do Estado de Israel em 1948.

Há muito tempo, os palestinos são marginalizados no Líbano, onde a guerra civil entre 1975 e 1990 foi deflagrada por um conflito entre facções palestinas e libanesas cristãs. Rejeitados por muitos empregadores, sem autorização para que tenham propriedades e enfrentando discriminação, os refugiados palestinos são reduzidos a uma existência miserável em campos superlotados e sem saneamento básico.

As propostas para um projeto de lei que deve ser debatido no Parlamento em algumas semanas dariam aos palestinos o direito de ter um apartamento residencial e legalizariam os direitos trabalhistas, como assistência médica em caso de acidentes relacionados ao trabalho.

"Se você tem pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza... e, mais importante, não há uma resposta política nem econômica para o problema deles, o que você espera?," afirmou Lombardo numa entrevista.

Questionado se ele acreditava que a lei reduziria a militância, afirmou que isso ocorreria "sem dúvidas". "Se você der um exemplo aos campos que as pessoas podem viver em dignidade e que as pessoas podem ter desejos e sonhos e aspirações para a vida delas, então você terá uma população que estará comprometida com o princípio da tolerância e dos direitos humanos", disse. 

Tudo o que sabemos sobre:
LíbanopalestinosONUinsurgência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.