Gates apóia pausa em futuras retiradas de tropas do Iraque

O secretário norte-americano de Defesa,Robert Gates, disse na segunda-feira que apóia uma breve pausana retirada de soldados do Iraque depois que for concluída asaída de cinco brigadas de combate, até julho. O contingente norte-americano no Iraque é um dos grandestemas da atual campanha eleitoral nos EUA. Os doispré-candidatos democratas querem uma retirada rápida, enquantoos republicanos dizem que a decisão deve caber aos comandantesmilitares. "Acho que a idéia de um breve período de consolidação eavaliação provavelmente faz sentido", disse Gates a jornalistasem Bagdá, apoiando publicamente pela primeira vez uma idéiaaventada pelo comandante militar dos Estados Unidos no Iraque,general David Petraeus. Questionado sobre a duração desse período, Gates respondeu:"Essa é uma das coisas sobre as quais ainda estamos pensando." Há cerca de um ano, o presidente George W. Bush determinouo envio de 30 mil soldados adicionais para conter a violênciaentre xiitas e sunitas no Iraque. A violência de fato diminuiu, mais soldados iraquianosforam mobilizados, e por isso os EUA decidiram retirar parte dasua presença militar. Até julho, o contingente deve cair para130 mil, voltando ao nível do início de 2007. Petraeus disse no final de janeiro à CNN que serianecessário algum tempo para que "as coisas se assentem umpouquinho" depois da redução inicial, o que levou aespeculações de que ele gostaria de manter pelo menos 130 milsoldados no Iraque durante o segundo semestre. "Na minha própria opinião", disse Gates, "meio que meencaminho para essa direção [sugerida por Petraeus] também.""Mas uma das chaves é quanto dura esse período, e o queacontece depois." Muitos comandantes militares defendem a redução docontingente no Iraque para reduzir a sobrecarga das ForçasArmadas, envolvidas numa guerra também no Afeganistão. Gates disse, sem entrar em detalhes, que a Al Qaeda foipraticamente erradicada do Iraque, mas que a situação no paíspermanece frágil, apesar de os ataques terem caído cerca de 60por cento desde junho. Apesar das declarações de Gates, comandantes militaresdizem que a Al Qaeda continua sendo uma grave ameaça. Nodomingo, militantes mataram mais de 50 pessoas numa série deataques, principalmente no norte do Iraque, onde a Al Qaeda sereagrupou depois de ser expulsa de seus antigos redutos naProvíncia de Anbar (oeste) e em Bagdá e arredores. Pouco antes de Gates deixar Bagdá, dois carros-bombaexplodiram na cidade, matando pelo menos cinco pessoas, segundoa polícia local.

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