Gates nega necessidade de grande mudança no governo afegão

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, chegou na terça-feira ao Afeganistão, onde deve pressionar o presidente Hamid Karzai a nomear ministros "honestos", embora tenha minimizado a necessidade de uma mudança completa no governo local.

ADAM ENTOUS E SAYED SALAHUDDIN, REUTERS

08 de dezembro de 2009 | 09h20

Em Washington, o Pentágono anunciou ordens para a mobilização de 16 mil dos 30 mil reforços que o presidente Barack Obama anunciou para o Afeganistão na semana passada. Isso irá quase dobrar o contingente de marines no sul dos EUA.

O principal comandante dos EUA e da Otan, além do embaixador dos EUA em Cabul, devem comparecer na terça-feira ao Congresso para explicar a nova estratégia, sob a qual os reforços seriam enviados rapidamente, mas começariam a deixar o Afeganistão já dentro de 18 meses.

Karzai, que deve anunciar seu novo gabinete nos próximos dias, está sob forte pressão de Washington e de outros governos ocidentais para combater a corrupção.

Uma autoridade judicial disse que um tribunal condenou o prefeito de Cabul, Abdul Ahad Sayebi, a quatro anos de prisão, num dos maiores casos de corrupção no Afeganistão nos últimos anos.

O gabinete do prefeito disse que ele continua trabalhando normalmente.

Gates declarou que, durante sua visita, pretende encontrar soldados dos EUA para dizer a eles: "Estamos nisso para ganhar." O secretário afirmará a Karzai e a outros líderes afegãos que os EUA continuam sendo "parceiros deles por ainda muito tempo", mas que Cabul deve se empenhar no treinamento de forças locais para eventualmente substituir as forças dos EUA.

Karzai, cuja reeleição em agosto foi marcada por suspeitas de fraude generalizada, prometeu no seu discurso de posse nomear ministros competentes e honestos e acabar com a "cultura de impunidade".

Gates criticou a tendência de retratar o governo afegão com "pinceladas amplas demais", já que há ministros e governadores competentes no país, como os ocupantes das pastas de Interior e Defesa.

"Estaremos todos observando as nomeações que forem feitas", disse Gates. "É importante para nós, em termos de todo o nosso sucesso, inclusive o sucesso afegão, ter ministros capazes e honestos nas áreas que mais nos interessam."

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