Gates pede que Iraque assine acordo de segurança com EUA

Governo americano pressiona para permanecer no Iraque até 2011; mandato da ONU termina em dezembro

BBC Brasil, BBC

22 de outubro de 2008 | 08h34

 O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou nesta terça-feira, 21, que se o governo iraquiano não aceitar o acordo que estabelece as condições para que as tropas dos Estados Unidos permaneçam por mais três anos no país, as conseqüências podem se "desastrosas". Segundo ele, sem o acordo sobre o status das forças americanas no Iraque, os Estados Unidos terão de "parar atuar" no país. O mandato das Nações Unidas para as forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos termina no próximo dia 31 de dezembro. Se o mandato não for renovado ou se Iraque e EUA não assinarem um tratado bilateral para a permanência das topas no país, o exército americano terá que suspender suas ações no Iraque. Durante vários meses, os governos dos dois países negociaram um pacto, cujo rascunho foi apresentado na semana passada. O acordo prevê a permanência de tropas dos Estados Unidos no Iraque até o ano de 2011 e confere autoridade limitada ao país, caso queira processar soldados americanos. Mas políticos iraquianos manifestaram desacordo com o documento e um porta-voz do gabinete do governo, Ali Dabbagh, afirmou nesta terça-feira que serão necessários "ajustes para que o acordo seja nacionalmente aceito". Ele não especificou quais as modificações que a coalizão que governa o Iraque pretende fazer. Segundo Robert Gates, o governo americano está "relutante" em renegociar o que já foi estabelecido entre as partes. "Nós precisamos que o acordo seja assinado. É um bom acordo, bom para nós e para eles. Ele realmente protege a soberania do Iraque". Falando a jornalistas na sede do Pentágono, o secretário de Defesa dos EUA afirmou que alternativa de solicitar à ONU um novo mandato para as forças americanas no país não é a "melhor opção". "Esta não é uma solução garantida", disse. Para que exista um novo mandato para as forças da coalizão no país, é necessária a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Segundo analistas, a decisão pode sofre o veto da Rússia. Protestos No último sábado, cerca de 50 mil simpatizantes do clérigo xiita Moqtada al-Sadr fizeram uma passeata em Bagdá em protesto contra planos de prolongar a permanência das tropas americanas no país. Carregando cartazes e gritando palavras de ordem como "Vão embora, ocupantes!", a multidão de xiitas, na sua maioria rapazes jovens, atravessaram a capital iraquiana, do bairro Cidade Sadr até a região central. Segundo a BBC, a manifestação deste sábado é uma prova de que a oposição do grupo militante liderado por Moqtada al-Sadr à presença americana tem forte apoio entre os xiitas do país.

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