Gates rebate declarações de Greenspan sobre guerra

Secretário de Defesa dos EUA nega declaração de ex-presidente do Fed de que Iraque foi invadido por petróleo

THOMAS FERRARO, REUTERS

17 de setembro de 2007 | 10h54

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, rejeitou no domingo um trecho do novo livro de Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, que afirmou que a guerra do Iraque "é em grande medida relacionada ao petróleo". Para Gates, o conflito é justificado pela necessidade de estabilizar o golfo Pérsico e derrotar forças hostis.  Veja também:BLOG DO GUTERMAN: 'Remoer o passado não produz futuro' "Tenho muito respeito pelo senhor Greenspan", disse Gates à rede ABC. "(Mas) sei que a mesma acusação (de interesses petrolíferos) foi feita sobre a Guerra do Golfo, em 1991, e simplesmente não acredito que seja verdade", acrescentou o secretário, ressalvando que não participou das decisões que levaram à guerra.  "Acho que se trata realmente da estabilidade no golfo. Trata-se de regimes párias tentando desenvolver armas de destruição em massa. Trata-se de ditadores agressivos", afirmou Gates.  Em seu novo livro, chamado "A Era da Turbulência: Aventuras Em Um Novo Mundo", Greenspan repete um antigo argumento dos críticos da guerra do Iraque, o de que o conflito foi em grande parte motivado pelas enormes riquezas petrolíferas daquele país.  "A despeito de sua propagada angústia devido às 'armas de destruição em massa' de Saddam Hussein, as autoridades norte-americanas e britânicas estavam também preocupadas com a violência em uma área que abriga um recurso (o petróleo) indispensável ao funcionamento da economia mundial", escreveu Greenspan.  "Fico entristecido de que seja politicamente inconveniente admitir o que todos sabem: que a guerra do Iraque diz respeito em grande parte ao petróleo", disse Greenspan, há décadas uma das vozes mais respeita dos EUA em questões de política fiscal. Ele deixou em janeiro de 2006 a presidência do Fed, onde passou mais de 18 anos.  No sábado, milhares de manifestantes pacifistas fizeram uma passeata em Washington. A polícia do Congresso disse que 192 deles foram presos por ultrapassarem uma barreira. Quase todos haviam sido soltos no domingo, mas um jovem foi indiciado por porte de dispositivo incendiário. Na semana passada, o presidente George W. Bush anunciou uma retirada parcial de tropas do Iraque até meados do ano que vem, mas rejeitou os apelos por uma mudança dramática de estratégia para o conflito.

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