General britânico critica estratégia pós-guerra no Iraque

Tim Cross sugeriu ao governo americano que a reconstrução do país fosse internacionalizada

EFE

02 de setembro de 2007 | 08h11

Um segundo general britânico criticou a estratégia pós-guerra dos Estados Unidos no Iraque, tachando-a de "mortalmente defeituosa", o que aumenta a tensão entre os dois aliados sobre essa questão. O general Tim Cross, principal responsável britânico implicado no Iraque do pós-guerra, assegura em ao dominical britânico "Sunday Mirror" que antes da invasão, em março de 2003, transmitiu ao então secretário de Defesa dos EUA Donald Rumsfeld sua preocupação com "a necessidade de internacionalizar a reconstrução" do país e "trabalhar estreitamente com a ONU". Cross explica que também manifestou a Rumsfeld sua inquietação pelo número de tropas disponível para manter a segurança e ajudar na reconstrução, mas o secretário de Defesa dos EUA "não queria escutar essa mensagem". "Os Estados Unidos tinham convencido a si mesmo que o Iraque emergiria de uma forma razoavelmente rápida como uma democracia estável", acrescenta Cross, que insiste em que Rumsfeld "ignorou" e "rejeitou" seus comentários. Suas críticas se somam às do chefe do Estado-Maior Conjunto britânico durante a invasão do Iraque, o general Mike Jackson, que qualificou a estratégia de pós-guerra dos EUA no país árabe de "intelectualmente insolvente". Em uma autobiografia intitulada "Soldado", que será publicada em fascículos a partir da próxima segunda-feira, 3, pelo jornal britânico "The Daily Telegraph", Jackson acusa Rumsfeld de ser "um dos principais responsáveis da atual situação no Iraque". Cross, que foi adjunto do general americano na reserva Jay Garner no governo de transição no Iraque, respaldou as críticas de seu colega, da mesma forma que o líder liberal-democrata britânico, Menzies Campbell, e o ex-ministro conservador de Defesa Malcolm Rifkind. No entanto, o governo britânico minimizou a importância das declarações do chefe do Estado-Maior Conjunto britânico durante a invasão do Iraque. Estas críticas podem aumentar as tensões entre os comandantes militares britânicos e americanos sobre o enfoque que deve ser seguido no país árabe. Vários militares americanos criticaram ultimamente a diminuição da presença militar do aliado britânico na região de Basra (sul do Iraque) por ver nela um fator crescente de instabilidade. O dominical "The Sunday Times" revela neste domingo, 2, que o Reino Unido prepara a entrega do controle de Basra ao Exército iraquiano, o que poderia acontecer no próximo mês e permitiria a retirada da maioria dos 5.500 soldados britânicos desdobrados no Iraque. Segundo a publicação, que cita fontes do Governo de Londres, a data de outubro possibilitaria ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, fazer o anúncio quando forem retomadas as sessões parlamentares após o período de recesso. A decisão pode renovar as críticas dos Estados Unidos de que os britânicos estão se preparando para sair correndo do Iraque, aponta o "Sunday Times".

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