General desertor diz que buscará unificar oposição síria

O general de brigada Manaf Tlas, um dos mais graduados desertores do regime do presidente sírio Bashar al-Assad, se reuniu nesta quinta-feira com o chanceler da Turquia, poderosa vizinha da Síria que tem interesse em moldar uma eventual liderança pós-Assad.

Reuters

26 de julho de 2012 | 18h11

A chancelaria turca disse que Tlas desembarcou em Ancara e encontrou o chanceler Ahmet Davutoglu para o "iftar", refeição que interrompe o jejum diário na época do Ramadã. Tlas apareceu rapidamente ao lado de Davutoglu numa casa de hóspedes do governo, mas não fez declarações.

Antes, porém, ele disse a um jornal que tentará unificar a fragmentada oposição síria dentro e fora do país em torno de um mapa para a transição de poder, e que para isso precisará do auxílio da Arábia Saudita e de outras potências.

"Estou discutindo com ... pessoas fora da Síria para chegarmos a um consenso com os que estão dentro", afirmou ele à edição desta quinta-feira do jornal saudita Asharq al-Awsat, numa entrevista concedida na cidade portuária de Jidá.

"Saí (da Síria) para tentar ajudar o máximo que eu puder para unir as pessoas honoráveis dentro e fora da Síria para estabelecermos um mapa que tire a Síria da crise."

"Não saí da Síria para liderar o período transitório", disse Tlas, ex-amigo de Assad, que pode desempenhar um papel na eventual transição. "Percebo que se trata de uma fase difícil ... É difícil para uma pessoa assumir a responsabilidade por essa fase."

O general citou especificamente a necessidade de colaboração entre o Conselho Nacional Sírio, que atua no exílio, e o Exército Sírio Livre, grupo insurgente que pegou em armas contra Assad.

Tlas, membro da maioria sunita da população, disse que será difícil derrubar Assad, da seita minoritária alauíta, apenas com as forças internas. "A estrutura e o sistema do regime tornam dificílimo um golpe a partir de dentro."

Mas ele afirmou que não antevê um futuro para Assad na Síria.

"Ele não está fraco, mas (há pessoas) no círculo ao seu redor que minimizaram a crise para ele, então ele preferiu lidar com isso dentro de um quadro (de uma questão de segurança pública)."

Tlas fez um aparente alerta contra expurgos que venham a ocorrer após a eventual saída de Assad, como os Estados Unidos promoveram no Iraque após a derrubada de Saddam Hussein, em 2003, dando início a vários anos de anarquia no país.

"Há muita gente no regime cujas mãos não estão cobertas de sangue, e eles não devem ser afastados", afirmou. "Devemos preservar as instituições nacionais na Síria e preservar o Estado, e lidar apenas com aqueles que cometeram erros ao lidar com a crise."

(Reportagem de Mirna Sleiman, Mariam Karouny e Mert Ozkan)

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