General dos EUA define plano para entregar Bagdá a iraquianos

Segundo Raymond Odierno, país pretende entregar metade do controle da cidade até o final de 2008

Ross Colvin, da Reuters,

24 de outubro de 2007 | 14h49

As forças norte-americanas pretendem entregar metade do controle sobre Bagdá às autoridades iraquianas até o final de 2008, disse nesta quarta-feira, 24, um importante general dos Estados Unidos no Iraque. "Estamos ansiosos para que eles assumam plena responsabilidade, assim como eles estão ansiosos para assumir plena responsabilidade", disse a jornalistas o tenente-general Raymond Odierno, responsável pelas operações cotidianas no país. "Vocês verão progressos constantes ao longo dos próximos 12 meses em termos de entregarmos grandes áreas de Bagdá para as forças de segurança iraquianas. Acho que vai chegar a alguma coisa entre 40% e 50% até o fim do ano." As declarações são significativas porque estabilizar a capital, palco de conflitos sectários, era o principal objetivo do reforço de 30 mil soldados enviados para o Iraque em fevereiro. Os índices de violência no Iraque são os menores desde janeiro de 2006. Os defensores da estratégia do presidente George W. Bush de enviar o reforço encararão os comentários de Odierno como prova de que o plano funcionou. Bush pediu paciência aos norte-americanos para que o esforço desse frutos. Mas, mesmo depois da entrega total do controle sobre a segurança do Iraque aos iraquianos, é provável que muitos dos 170 mil soldados norte-americanos que hoje estão em território iraquiano fiquem lá para apoiar as forças locais. Os generais dos EUA dizem que o Exército iraquiano, que teve de começar do zero depois da derrubada de Saddam Hussein, em 2003, está ganhando cada vez mais força, mas há quem diga que o contingente é mal equipado, e que o sectarismo e a corrupção ainda dominam a polícia. Sete das 18 províncias do Iraque já foram transferidas para o controle das forças iraquianas, mas elas ficam em regiões mais pacíficas do país, o norte curdo e o sul xiita. "Os níveis de ataques continuam em sua tendência constante de queda que começou em junho, e estão agora nos níveis mais baixos desde janeiro de 2006", disse Odierno, acrescentando que as bombas de beira de estrada diminuíram mais de 60 por cento nos últimos quatro meses. Em fevereiro de 2006, o ataque a bomba contra um templo xiita na cidade de Samarra deflagrou uma onda de violência entre a maioria xiita e a minoria árabe sunita. Dezenas de pessoas morreram, milhões tiveram de sair de suas casas e o Iraque ficou à beira da guerra civil.

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