General dos EUA pretende libertar prisioneiros iraquianos

Militar afirma que Exército pode liberar até 17 mil presos; maioria é detida por envolvimento com insurgência

DEAN YATES, REUTERS

28 de novembro de 2007 | 12h48

O comandante dos campos prisionais dos EUA no Iraque disse que quer diminuir o número de iraquianos detidos em cerca de dois terços até o final de 2008. A manobra seria parte de um plano mais amplo de combate à insurgência e à violência no país.   O major-general Douglas Stone, chefe das unidades prisionais dos EUA no Iraque, disse na terça-feira que havia recebido autorização do comandante das forças norte-americanas no país, David Petraeus, para diminuir significativamente a população carcerária sob custódia dos EUA até o final de 2008. "Estamos pensando em um número de menos de 10 mil ou de cerca de 8 mil para os que continuarão presos, que seriam os elementos mais violentos. O restante deles, segundo acreditamos, pode ser libertado", afirmou Stone à Reuters no Campo Bucca, no sul do Iraque, o maior campo de detenção dos EUA no país árabe. A maior parte dos mais de 25 mil presos mantidos sob custódia das forças norte-americanas é composta por árabes sunitas acusados de envolvimento com a insurgência lançada contra o governo, liderado pelos xiitas, e contra as forças dos Estados Unidos. Os líderes sunitas do Iraque dizem que muitos dos detentos são inocentes e que nunca foram acusados de crime nenhum. A questão dos presos mantidos nas instalações norte-americanas e iraquianas é uma das mais delicadas do país, especialmente porque o número de detenções aumentou em meio a uma operação de segurança realizada neste ano. A operação, que inclui a participação de um contingente extra de 30 mil soldados norte-americanos, tem por objetivo dar tempo aos líderes políticos do Iraque para que realizem reformas nas leis iraquianas capazes de reconciliar a maioria xiita com a minoria sunita, impedindo assim que o país mergulhe em uma guerra civil. O destino dos detentos iraquianos tem sido objeto de debates desde 2004, quando surgiram imagens de guardas militares dos EUA torturando presos nus na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá. Alguns especialistas afirmam que apenas uma pequena porcentagem dos detentos é processada e condenada. As Forças Armadas norte-americanas argumentam que os ainda detidos representam um risco para a segurança do país. Devido a uma diminuição da violência nos últimos meses, Petraeus anunciou planos de retirar gradualmente do Iraque, até julho de 2008, mais de 20 mil soldados norte-americanos. Atualmente, há cerca de 162 mil militares dos EUA no Iraque.

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