Ghanem é o oitavo político assassinado no Líbano desde 2005

Outras seis pessoas morreram e mais de 56 ficaram feridas em ataque às vesperas da eleição presidencial

Associated Press

19 de setembro de 2007 | 16h50

Mais um proeminente opositor da Síria foi assassinado no Líbano nesta quarta-feira, 18. Antoine Ghanem era legislador da direita e foi morto em um atentado ocorrido em Beirute. Outras seis pessoas também morreram e pelo menos 56 ficaram feridas. O ataque aconteceu poucos dias antes da escolha do presidente do Líbano no Parlamento, que deve ocorrer entre os dias 25 de setembro e 24 de novembro, quando chega ao fim o mandato do atual chefe de Estado, Émile Lahoud. Em pouco mais de dois anos, este é o oitavo atentado a opositores de Damasco.   Explosão em Beirute mata parlamentar anti-Síria   Outros atentados   A onda de assassinatos a políticos anti-Síria começou em 14 de fevereiro de 2005, quando o primeiro ministro Rafik Hariri e o ministro da Economia Bassel Fleihan foram assassinados em um ataque a bombas. Opositores acusam a Síria pelo atentado, mas Damasco nega envolvimento. Em 2 de junho do mesmo ano, o jornalista e ativista contrário à Síria Samir Kassir também morreu depois de uma bomba instalada em seu carro explodir. Passados 19 dias, outro ataque. Dessa vez, contra o líder do Partido Comunista, George Hawi.   Apesar de ser pró-Síria, o ministro da Defesa Elias Murr também sofreu atentado, em 12 de julho. Enquanto dirigia por um subúrbio do norte de Beirute, ele foi atacado, mas sobreviveu. Já a âncora do canal LBC May Chidiac não teve a mesma sorte. Em 25 de setembro, ela perdeu um braço e uma perna com a explosão de uma bomba instalada embaixo de seu carro. Outro jornalista, o editor de um jornal contrário à Síria Gibran Tueni, foi assassinado em 12 de dezembro de 2005. Já em 21 de novembro de 2006, o alvo foi o ministro das Indústrias e político cristão, Pierre Gemayel, que foi baleado em Beirute e faleceu. O membro do Parlamento Walid Eido, seu filho, guarda-costas e outras pessoas morreram em uma explosão, em 13 de junho deste ano.   História do conflito   Depois da Primeira Guerra Mundial, Síria e Líbano foram desmembrados pela França, que passou a controlar os dois territórios até 1946. Com a chegada de refugiados palestinos ao Líbano, o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos foi rompido, o que resultou em uma violenta guerra civil.   Apenas em 1990 foi reconstituído o Estado libanês, mas a guerrilha xiita do Hezbollah (com apoio da Síria e do Irã) continuou lutando no extremo-sul do país contra os israelenses e seus aliados. Em 2005, a Síria retirou suas tropas do país, por causa da pressão internacional pela morte do premier Rafik Hariri.

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