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Gilles Lapouge: A lógica realista da guerra em Gaza

A morte de israelenses e palestinos rende ganhos políticos para Hamas, Irã e trabalhistas em Israel

Gilles Lapouge, O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2009 | 07h42

A guerra de Gaza será a consequência do ódio irracional, desvairado do povo israelense pelo palestino, e vice-versa? Com certeza, sim. Mas, sobre esse ódio, entrelaçam-se também estratégias, táticas, subterfúgios, cálculos "eleitoreiros", tanto de israelenses quanto palestinos.   Veja também: ONU pede trégua, mas Israel mantêm ataques É 'inaceitável' não poder distribuir ajuda em Gaza, diz ONU Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio  'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        A esta altura, devemos fazer uma indagação alarmante: a morte de 700 palestinos terá sido para devolver o orgulho ao Hamas? Para recuperar a imagem envelhecida dos trabalhistas israelenses? Ou para aumentar o prestígio de Mahmud Ahmadinejad, o fanático presidente que governa o Irã?   O Hamas, partido dos extremistas palestinos que assumiram o controle da Faixa de Gaza em 2007, e que se posicionou como o inimigo implacável da outra facção palestina, os moderados do Fatah, liderados por Mahmud Abbas na Cisjordânia, está em declínio há um ano. Uma pesquisa recente dá 40% de apoio aos moderados do Fatah contra 16,6% aos frenéticos do Hamas.   Ressurgimento   A degringolada do Hamas tem sido tão constante, tão irreversível, que seus dirigentes - Ismail Haniyeh, que está em Gaza, e Khaled Meshaal, homem que determina a linha política do Hamas do exílio na Síria - optaram pelo fim da trégua com Israel e, portanto, desencadearam uma tempestade da qual agora colhem os frutos. Em oito dias, o Hamas se regenerou.   O cálculo do Hamas estava totalmente certo, principalmente porque permitiu que se realizassem os objetivos de Israel. Em Israel, os trabalhistas estão encurralados entre o Likud, a extrema direita, e o Kadima, o partido de Ariel Sharon, que passou da direita para o centro.   Dentro de algumas semanas se realizarão as eleições israelenses, que ocorrerão depois da demissão inglória do primeiro-ministro, Ehud Olmert, por corrupção. O Partido Trabalhista já se considera derrotado. Consequentemente, Ehud Barak, líder dos trabalhistas e ministro da Defesa de Olmert, lançou seus soldados ao assalto de Gaza. Isso bastará para que ele vença as eleições? Pelo menos, essa é a sua equação.   Surpresa   Quanto ao Irã, indubitavelmente a guerra de Gaza beneficia o presidente Ahmadinejad, que alardeia querer "riscar Israel do mapa". Ele é tão barroco, tão irresponsável, que perdeu o apoio de parte da população iraniana.   O ataque de Israel ao Hamas foi, portanto, recebido pelos amigos de Ahmadinejad como uma "surpresa divina". O Irã se mobilizou em favor dos extremistas do Hamas, voltando a unir-se em torno dos delírios anti-israelenses de Ahmadinejad. Setenta mil jovens iranianos se inscreveram para "morrer em Gaza", mas não há perigo: eles não têm como chegar ao território.   Ao mesmo tempo, o governo iraniano explicou que não intervirá em Gaza, porque seus habitantes são fortes o bastante. A cotação de Ahmadinejad disparou. Chegamos, assim, a uma constatação repugnante: as crianças e os soldados que morrem, não morrem em vão.   Foram sacrificados para que os líderes do Hamas continuem liderando, para que os trabalhistas consigam suas cadeiras no Parlamento de Israel e para que o ódio do iraniano Ahmadinejad possa persistir por mais algumas temporadas. O sentido oculto da Guerra Santa está nas eleições.

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