Governo afegão é apoiado somente em 1/4 das províncias do país, dizem EUA

Relatório do Pentágono afirma que política de Karzai para acabar com corrupção continua 'duvidosa'

28 de abril de 2010 | 18h37

Reuters

 

WASHINGTON- Os militares dos Estados Unidos acreditam que os afegãos apoiam o governo de Hamid Karzai em apenas um quarto das áreas chaves do país e que a vontade política para acabar com a corrupção "continua duvidosa", de acordo com um relatório do Pentágono divulgado nesta quarta-feira, 28.

 

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O complexo militar descreveu seu documento de 152 páginas para o Congresso como uma "sóbria" avaliação do progresso na guerra de mais de oito anos travada no Afeganistão. Apesar das deficiências, ele também observou avanços, como o aumento da pressão contra o Taleban e a melhoria das forças de segurança afegãs.

 

Sobretudo, o documento afirma que existem sinais reais de progresso. Divulgado antes da visita de Karzai a Washington, agendada entre 10 e 14 de maio, o relatório esclarece preocupações dos Estados Unidos sobre o governo afegão enquanto a Otan tenta mudar o curso em sua batalha contra o Taleban.

 

A corrupção persistente, dizem oficiais americanos, é um problema que prejudica os esforços da Otan para ganhar a confiança dos afegãos e derrotarem o Taleban.

 

"Enquanto o Afeganistão alcançou algum progresso contra a corrupção (...), uma mudança real continua sendo ilusória e a vontade política, em particular, continua duvidosa", diz o Pentágono.

 

De acordo com o documento, a população apoia o governo de Cabul em apenas 29 dos 121 distritos afegãos considerados mais estratégicos no esforço da guerra.

 

Karzai tem atingido Washington recentemente ao acusar países ocidentais de perpetrarem fraude nas eleições afegãs, e afirmar que havia uma tênue fronteira entre cooperação e ocupação.

 

Paquistão

 

O Paquistão deslocou mais de 100.000 soldados da fronteira do país com a Índia para deter a presença de militantes ao longo da fronteira com o Afeganistão, mas a mudança provavelmente não terá impacto na guerra afegã dos Estados Unidos, afirmou o Pentágono nesta quarta.

 

Em um relatório para o Congresso divulgado hoje, o complexo militar estimou que entre 130 e 150.000 soldados paquistaneses estavam participando de ofensivas contra insurgentes nas regiões tribais semiautônomas, conhecidas como as Áreas Tribais Administradas Federalmente (FATA, na sigla em inglês, e na Província Noroeste da Fronteira, próxima ao Afeganistão.

 

Segundo o Pentágono, a transferência de tropas na fronteira oeste é a maior na história do país. "Esta transferência inédita e a redução de tropas próximas à Índia indicam que Islamabad reconheceu sua ameaça insurgente doméstica", afirmou o órgão no relatório.

 

O Pentágono divulgou o documento um dia antes de os primeiros-ministros da Índia e do Paquistão terem sua primeira reunião em nove meses. Washington tenta melhorar a relação entre os dois países, que travaram três guerras desde a independência da Inglaterra, em 1947.

 

No relatório, o Pentágono declarou que operações militares paquistanesas nas FATA e no Waziristão do Norte tiveram um impacto ao longo da fronteira, colocando um "alto grau de pressão em forças inimigas e reduzindo áreas seguras para insurgentes" no leste do Afeganistão.

 

O órgão, no entanto, refutou o impacto imediato da ofensiva paquistanesa em ações do Taleban contra os Estados Unidos, afirmando que as operações de Islamabad têm focado até agora "quase exclusivamente em ameaças internas".

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