Governo diz controlar Cabul após ataque do Taliban

Militantes armados e homens-bomba do Taliban atacaram com ousadia vários alvos no centro de Cabul na segunda-feira, inclusive travando uma batalha dentro de um shopping center.

HAMID SHALIZI E SUE PLEMING, REUTERS

18 de janeiro de 2010 | 10h21

Eles fracassaram em seu aparente objetivo de capturar prédios públicos, mas demonstraram sua capacidade de ação num momento em que o presidente intensifica os esforços para derrotar a militância islâmica no Afeganistão.

Foi o pior ataque em Cabul em quase um ano. Tiros e explosões sacudiram a cidade, e uma enorme coluna de fumaça se erguia no centro da capital, especialmente a partir do shopping onde o confronto durou horas.

Após mais de quatro horas de combates, o presidente Hamid Karzai divulgou nota dizendo que "a situação de segurança está sob controle e a ordem foi mais uma vez restabelecida".

O Taliban disse que 20 militantes seus se envolveram nos ataques, que tinham como alvos o palácio presidencial, os Ministérios de Justiça e Minas e um prédio administrativo, todos no centro de Cabul.

Quando os ataques começaram em frente ao amplo complexo presidencial, Karzai estava no interior do prédio dando posse a novos ministros.

"Conforme conduzíamos a cerimônia de posse, um ataque terrorista em uma parte de Cabul próxima ao palácio presidencial estava em curso. Este é apenas um dos perigos", disse Karzai aos ministros. "O perigo que pode fazer mal ao Afeganistão é semear a discórdia nacional entre os afegãos."

O enviado especial dos EUA à região, Richard Holbrooke, que deixara Cabul horas antes com destino a Nova Délhi, afirmou: "As pessoas que estão fazendo isso certamente não irão sobreviver ao ataque nem terão sucesso, mas podemos esperar este tipo de coisa regularmente. Esse é o Taliban."

As ações desmoralizam uma iniciativa para tentar convencer os guerrilheiros do Taliban a deporem suas armas, que Karzai pretende anunciar neste mês numa conferência internacional em Londres.

A iniciativa é parte importante da nova estratégia de Obama, que também prevê o envio de 30 mil soldados adicionais, em meio a um momento de forte recrudescimento do Taliban, cujo regime islâmico no Afeganistão foi derrubado no final de 2001, depois do início da ocupação norte-americana.

(Reportagem de Sayed Salahuddin, Hamid Shalizi, Golnar Motevalli, Sue Pleming, Jonathon Burch e Emma Graham-Harrison)

Tudo o que sabemos sobre:
AFEGANISTAOCABULCOMBATES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.