Governo do Líbano cancela medidas contra o Hezbollah

O governo do Líbano cancelou naquarta-feira as medidas contrárias ao grupo Hezbollah, quehaviam provocado o pior conflito interno no país desde o finalda guerra civil (1975-90). O governo de Fouad Siniora, que tem apoio dos EstadosUnidos, disse em nota que está cumprindo recomendações doExército para preservar a paz e facilitar a mediação da LigaÁrabe. "O gabinete decidiu aceitar a sugestão do comandante doExército, o que inclui o cancelamento das duas decisões", dissea nota lida pelo ministro da Informação, Ghazi Al Aridi. O texto se refere à ordem para desmantelar a rede decomunicações do Hezbollah e à demissão do chefe de segurança doaeroporto de Beirute, que era ligado ao grupo. "Saudamos esse passo do governo e vemos que ele forma oprelúdio de um fim para a nossa campanha de desobediência",disse uma fonte da oposição à Reuters. Essa fonte acrescentou que já na quinta-feira pode começarum diálogo com o governo, e que a campanha de desobediênciaseria encerrada. Seguidores do Hezbollah deram tiros para o alto em Beirutepara comemorar o recuo do governo. A crise política entre o Hezbollah, que tem apoio da Síriae do Irã, e o governo pró-ocidental se arrasta há 18 meses. Porcausa dela, o Líbano está sem presidente desde novembro. Pelo menos 81 pessoas morreram nos confrontos iniciados porcausa das decisões controversas do governo, em 7 de maio. Emseis dias de combates, o grupo islâmico conseguiu expulsar seusadversários de várias partes de Beirute. Em Jerusalém, onde celebra os 60 anos de Israel, opresidente dos EUA, George W. Bush, acusou o Irã de usar oHezbollah para "desestabilizar a jovem democracia" do Líbano. Também na quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUAanunciou a intenção de acelerar a assistência ao Exércitolibanês, e disse que há consultas no Conselho de Segurança daONU sobre como lidar com a crise. (Reportagem adicional de Laila Bassam, Tom Perry e NadimLadki)

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