Yin Bogu/Efe
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Governo e oposição de Israel criticam Lula por boas relações com Irã

Presidente do Parlamento pediu para mandatário se unir aos que reconhecem o Irã com ameaça

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

15 de março de 2010 | 14h08

A oposição e a situação em Israel se uniram nesta segunda-feira, 15, em uma crítica velada à aproximação do Brasil ao Irã e à resistência do governo brasileiro em aderir às sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã por conta do programa nuclear iraniano. A opinião dos partidos israelenses foi expressada durante a sessão especial do Knesset, o Congresso de Israel, por ocasião da visita do presidente Lula.

 

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Em clara referência ao Brasil, o presidente do Knesset, Reuven Rivlin, advertiu que "os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas desse regime dos aiatolás". "Peço que se una aos países que já reconheceram esse perigo e apoie as sanções", afirmou Rivlin, dirigindo-se a Lula.

 

O presidente do Congresso alertou Lula sobre o fato de sua postura poder ser encarada como uma fraqueza em relação a Ahmadinejad. "Ser contra as sanções pode ser visto como um sinal de fraqueza diante de líderes como esses, que não têm freios. A História mostra, Deus nos livre, o que pode acontecer se não tomarmos medidas contra essas ameaças", concluiu

 

O apelo foi reforçado a Lula pelo próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que insistiu para o brasileiro aderir a uma "frente moral" para evitar a ameaça do armamentismo iraniano. "Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que está se cristalizando contra o armamentismo do Irã. Eles têm valores diferentes dos nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte, e vocês adoram a vida", disse o premiê.

 

A líder do bloco de oposição no Knesset, Tzipi Livni, defendeu o isolamento do Irã, por meio da aplicação de sanções, e sua expulsão das Nações Unidas, uma vez que Teerã prega a eliminação do Estado de Israel. Livni, que foi chanceler de Israel entre 2006 e 2009, afirmou que o Irã se aproveita da aproximação com a América Latina para driblar o isolamento. "O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã. Eles testam os limites do mundo livre. É preciso uma decisão energética e corajosa agora", disse a líder da oposição.

 

Em seu discurso, Lula não chegou a mencionar a palavra Irã. Preferiu acentuar que a América Latina firmou um tratado que tornou a região livre de armas nucleares e que o Brasil conta com proibição constitucional à produção e ao uso de armamento atômico. "Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo", afirmou.

 

Lula, por sua vez, insistiu na ideia de colocar o Brasil como um mediador no diálogo pela paz entre israelenses e palestinos. O presidente defendeu a "ampliação de interlocutores" nas negociações e foi igualmente duro com Israel ao denunciar as dificuldades nesse diálogo provocadas pelo projeto israelense de ampliação dos assentamentos em territórios palestinos.

 

Segundo Lula, esse anúncio, na semana passada, gera um "impasse" que agrava as condições de vida nos territórios palestinos, "alimenta o fundamentalismo de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda".

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