Governo holandês diz que filme anti-islã pode causar revolta

Parlamentar faz filme anti-islâmico cuja divulgação poderia levar até a sanções econômicas e ataques terroristas

Reuters,

29 de fevereiro de 2008 | 20h07

O primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende alertou nessa sexta-feira, 29, que a Holanda corre risco de sanções econômicas e ataques a seus cidadãos e negócios por causa de um plano de um político de direita de difundir um filme anti-islâmico. Balkenende criticou o Geert Wilders, parlamentar que pediu para que o Alcorão fosse banido e comparou o livro sagrado muçulmano ao Mein Kampf, de Adolf Hitler; Wilders fez um filme no qual apresenta suas opiniões sobre o texto sagrado do Islã. "Produtos holandeses têm sido rejeitados como uma exibição, o Taleban (no Afeganistão) anunciou ações contra soldados holandeses, aeromoças têm medo de trabalhar em certas companhias aéreas," disse o primeiro-ministro, que não descartou a possibilidade de cidadãos do país morreram em futuros ataques terroristas.  Em 2006, manifestações e confrontos eclodiram em muitos países islâmicos depois que charges, uma mostrando o profeta Maomé com um turbante-bomba, apareceram em um jornal norueguês. Com a republicação dos desenhos na segunda-feira, 25, o conflito voltou a tornar-se uma questão delicada. Estima-se que 50 pessoas morreram em decorrência da intolerância por conta da publicação das charges. Apesar de não ter pedido que Wilders pare de difundir o vídeo, Balkenende enfatizou que o governo holandês não compactua com a visão do parlamentar. Ele disse que o governo foi obrigado a sublinhar os riscos da transmissão do vídeo. Do outro lado Wilders afirmou, em seu site, que o "primeiro-ministro tem tanto medo das conseqüências do filme que parece ter se rendido ao Islã ao invés de defender nossos valores e direitos democráticos." Continuando com as críticas a Balkenende, reiterou que "o filme será transmitido". O parlamentar disse ainda estar negociando com redes de TV a divulgação do vídeo, esperando ir ao ar em março ou abril. O partido de Wilders tem nove das 150 cadeiras do Parlamento holandês e ganhou apoio nas últimas pesquisas de opinião. Ele alertou que o país passa por um "tsunami de islamização", tendo perto de um milhão de islâmicos.

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