Governo líbio bombardeia bairro residencial, dizem rebeldes

Forças do governo líbio bombardearam na terça-feira uma área residencial nos arredores de Misrata na terça-feira, segundo os rebeldes que tentam manter seu controle sobre a cidade.

GUY DESMOND, REUTERS

10 de maio de 2011 | 19h38

Os combates em Misrata têm oscilado em termos de ferocidade nas últimas semanas, mas agora os rebeldes parecem ter obtido um certo avanço, ao cercarem soldados do governo no aeroporto e na academia da Força Aérea, ao sul, segundo uma testemunha.

"As forças do (líder líbio Muammar) Gaddafi estão escondidas no aeroporto e na academia da Força Aérea", disse o morador Ghassan, simpatizante dos rebeldes.

Seu relato não pôde ser verificado independentemente.

"Rebeldes com quem conversei disseram que o plano é entrar no aeroporto nos próximos dois dias", afirmou Ghassan por telefone.

Misrata é fundamental para as esperanças dos rebeldes de derrubar Gaddafi, porque é a última cidade sob o controle deles no oeste do país.

Ibrahim Betalmal, porta-voz do conselho rebelde em Misrata, pediu às forças do governo que desistam da batalha, que já dura oito semanas.

"Quem se rende ou adere aos rebeldes está seguro, e quem decide se retirar e voltar para casa está seguro", disse ele num vídeo posto no Youtube.

O governo diz que a maioria dos líbios apoia Gaddafi, e qualifica os rebeldes como criminosos armados e militantes da Al Qaeda. O regime afirma também que a atual intervenção armada da Otan é um ato de agressão colonial por parte de potências ocidentais empenhadas em roubar o petróleo do país.

Após dois meses de conflitos ligados às rebeliões deste ano em outros países árabes, os rebeldes dominam Benghazi e outras cidades no leste, enquanto o governo controla a capital e quase todo o oeste do território líbio.

Gaddafi não aparece em público desde 30 de abril, quando um ataque aéreo da Otan sobre uma casa na capital matou seu filho mais novo e três de seus netos.

A guerra civil líbia já matou milhares de pessoas, além de causar sofrimento a dezenas de milhares de migrantes forçados a fugirem por terra ou por barco.

Agências humanitárias dizem ter ouvido relatos de que um navio com 500 a 600 pessoas naufragou na semana passada perto de Trípoli, e que muitos corpos foram vistos na água.

Mesmo antes disso, cerca de 800 pessoas já haviam desaparecido desde 25 de março ao tentarem fugir da Líbia, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados. A maioria era de pessoas da África Subsaariana.

COMBATES

Ao sul de Misrata, novos combates foram registrados em Souk al Arab e Al Ghiran, perto do aeroporto da cidade, segundo um porta-voz rebelde chamado Belkacem. Não foi possível confirmar esse relato.

Além disso, os rebeldes dizem ter ocupado a aldeia de Zareek, cerca de 25 quilômetros a oeste de Misrata, mas ainda estão tentando debelar incêndios em tanques de combustível bombardeados pelo governo na sexta-feira.

"As forças de Gaddafi bombardearam uma área residencial a oeste da cidade esta manhã, às 3h (hora local). Essa área foi alvo de bombardeios aleatórios", afirmou o porta-voz do conselho rebelde por telefone.

A Otan aparentemente corroborou essa versão. "Forças pró-Gaddafi continuaram a bombardear os cidadãos de Misrata com artilharia de mais longo alcance, morteiros e foguetes, disparando indiscriminadamente explosivos contra a cidade", afirmou o general Claudio Gabellini, chefe de operações da missão da Otan na Líbia.

A Otan, por sua vez, lançou mísseis na terça-feira contra Trípoli, aparentemente tendo como alvo um complexo usado por Gaddafi, segundo testemunhas. Mais tarde, a Otan confirmou um ataque contra um edifício governamental de comando e controle no centro da capital.

Autoridades líbias disseram que os bombardeios noturnos da Otan em Trípoli deixaram quatro crianças feridas, duas delas em estado grave. Elas levaram jornalistas a um hospital com vidraças estilhaçadas, e a um prédio administrativo de serviços à infância, completamente destruído. Esse prédio já havia sido danificado anteriormente - no bombardeio de 30 de abril, segundo as autoridades.

"A direção de pelo menos uma explosão sugere que o complexo de Gaddafi foi alvejado", disse uma testemunha.

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