Governo sírio culpa militantes islâmicos por massacre em Houla

As autoridades sírias atribuíram na segunda-feira a militantes islâmicos o massacre de 108 homens, mulheres e crianças na localidade de Houla, e rejeitaram relatos de testemunhas e observadores da ONU segundo os quais tanques do Exército estavam no local naquela hora.

REUTERS

28 Maio 2012 | 17h03

Em carta ao Conselho de Segurança da ONU publicada pela imprensa estatal, a chancelaria síria disse que o Exército confrontou centenas de homens armados que teriam cometido o massacre de sexta-feira. O ministério disse que os assassinos usaram facas, e que isso é uma "assinatura" dos ataques de militantes islâmicos.

"Nem um só tanque entrou na região, e o Exército sírio estava em estado de autodefesa, usando o máximo grau de autocontrole e uma resposta apropriada, e qualquer outra coisa senão isso é pura mentira", disse a carta do ministério.

"Os grupos terroristas armados (...) entraram com o propósito de matar, e a melhor prova disso é o assassinato com facas, o que é uma assinatura de grupos terroristas que massacram segundo a forma islâmica."

A carta diz que três soldados morreram e 16 ficaram feridos.

Em carta enviada no domingo ao Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que observadores da ONU que visitaram o local depois do massacre "viram cápsulas de artilharia e de tanques e também marcas recentes de tanques", acrescentando que muitos edifícios foram destruídos por armas pesadas.

Testemunhas e ativistas da oposição disseram que as forças de Assad, único lado com artilharia e tanques nestes 14 meses de rebelião contra o regime, realizaram o massacre na aldeia. Essas fontes disseram que 108 pessoas foram mortas principalmente por tiros e facadas, mas que pelo menos 15 morreram atingidas por armas de fogo.

Houla é habitada majoritariamente por sunitas, enquanto muitas aldeias vizinhas são dominadas por alauitas, vertente do islamismo xiita que é minoritária na Síria, mas à qual pertencem Assad e várias outras autoridades de alto escalão.

(Reportagem de Khaled Yacoub Oweis)

Mais conteúdo sobre:
SIRIAMINITANTESHOULA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.