Governos líbios rivais divulgam planos para exploração do petróleo

Um governo autoproclamado no controle da capital da Líbia anunciou suas políticas para a exploração do petróleo nesta semana, provocando uma réplica do primeiro-ministro, Abdullah al-Thinni, que afirmou que as receitas petrolíferas continuam indo para o governo eleito.

ULF LAESSING E FERAS BOSALUM, REUTERS

17 de outubro de 2014 | 17h58

Três anos após a deposição de Muammar Gaddafi, a Líbia está mergulhada no caos, com dois gabinetes disputando o comando desde que a Operação Alvorecer, um conglomerado de grupos armados da cidade de Misrata, no oeste do país, dominou Trípoli em agosto, obrigando o governo de Thinni a se transferir para o leste.

Desde então, as forças lideradas a partir de Misrata formaram seu próprio parlamento e governo, que assumiu alguns ministérios e controla na prática partes do oeste e do centro da Líbia.

Os operadores de petróleo estão preocupados com a incerteza a respeito de quem está no comando das vastas reservas líbias do produto depois que o grupo de Misrata nomeou seu próprio ministro do Petróleo e assumiu o site oficial da estatal Corporação Nacional de Petróleo (NOC, na sigla em inglês).

A disputa pelo ministério aumenta a insegurança em relação à indústria petrolífera, que começou a dar sinais de recuperação depois que Thinni conseguiu pôr fim a um bloqueio de grandes portos no leste em mãos de grupos rebeldes que exigem autonomia.

Em uma entrevista à agência de notícias local Press Solidarity, o recém-nomeado ministro do Petróleo, Mashallah al-Zawi, disse que a pasta está empenhada em solucionar os protestos nos campos de extração e discute esquemas de aposentadoria precoce de funcionários para abrir espaço para novas contratações.

“O ministério está trabalhando para resolver a questão dos bloqueios dos jovens pelo diálogo e atendendo algumas exigências”, disse, delineando suas políticas pela primeira vez, de acordo com o site da agência.

QUEM MANDA?

Thinni, cujo governo é reconhecido pela comunidade internacional, falou de Bayda, cidade a leste de Benghazi, para onde seu gabinete se deslocou e de onde tenta manter contato com ministros na capital Trípoli, a mil quilômetros de distância.

Ele afirmou que as receitas do petróleo continuam a ir para um banco líbio, que as transfere ao banco central.

O ministro líbio do Petróleo de fato é o presidente da NOC, Mustafa Sanallah.

No tocante à produção petrolífera do país, Thinni e Zawi citaram a mesma cifra de 800 mil barris por dia, e Zawi afirmou que as receitas, a única fonte de renda líbia, só serão cerca de um quinto do que eram no ano passado devido às manifestações nos campos de extração e nos portos.

Potências ocidentais temem que o conflito entre os dois gabinetes conduza a uma guerra civil e que o Exército ainda em formação do governo eleito não seja páreo para os ex-rebeldes de várias facções que desafiam a autoridade estatal.

Pelo menos 14 pessoas morreram e sete ficaram feridas em Benghazi nesta sexta-feira, terceiro dia de combates no local, disseram médicos.

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