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Grã-Bretanha descarta ampliar papel no Afeganistão

País disse que não pretende assumir o lugar das tropas dos EUA que deixem o país

MOHAMMED ABBAS, REUTERS

08 de dezembro de 2011 | 13h49

LONDRES - A Grã-Bretanha não vai ampliar seu papel no Afeganistão para assumir o lugar das tropas dos EUA, disse o secretário de Defesa britânico nesta quinta-feira, 8.

Depois de mais de uma década de guerra no Afeganistão, a Casa Branca está seguindo adiante com planos para retirar 33.000 de seus quase 100.000 soldados até o final de setembro do ano que vem, criando especulação entre alguns analistas militares de que os soldados britânicos possam ser usados para cobrir buracos.

"Estou certo de que seremos capazes de lidar com qualquer padrão de retirada dos EUA... criticamente, ninguém espera que nós substituamos os soldados norte-americanos", disse o secretário da Defesa Philip Hammond ao Royal United Services Institute, um centro de pesquisas da área de defesa sediado em Londres.

"Os comandantes norte-americanos entendem isso, as pessoas na Casa Branca e no Pentágono entendem isso. Não poderíamos ser mais claros", acrescentou.

A Grã-Bretanha tem cerca de 9.500 soldados no Afeganistão, a maioria estacionada na província de Helmand, no sul, que vem testemunhando alguns dos combates mais violentos entre as forças ocidentais e o Taliban e outros insurgentes.

Hammond disse que embora as tropas norte-americanas estejam diminuindo, as forças afegãs são cada vez mais capazes de assumir a responsabilidade pela segurança. Ele disse que recebeu garantias de que apoio dos EUA, como aviões e helicópteros de guerra, ficariam no país.

A Grã-Bretanha e outros países ocidentais com tropas no Afeganistão disseram que estão comprometidos a entregar a responsabilidade pela segurança às autoridades afegãs até o final de 2014.

A quantidade de soldados, equipamentos e dinheiro ao esforço de guerra afegão vem sendo uma fonte de tensão entre alguns estados na Europa, com a Grã-Bretanha instando seus parceiros da Otan a fazerem mais.

Hammond disse que aumentaria esses esforços, principalmente enquanto os Estados Unidos estão mais atentos a seus laços com a Ásia, mas admitiu que obter mais compromisso europeu para a defesa seria difícil, por conta das dificuldades financeiras da região.

"Em longo prazo teremos que contar com um nível menor de compromisso militar dos EUA na Europa enquanto a atenção deles muda para outro lugar", disse.

No ano passado, a Grã-Bretanha cortou seu orçamento de defesa em oito por cento em termos reais ao longo de quatro anos, reduziu os postos militares e acabou com alguns programas como parte da Revisão de Segurança e Defesa Estratégica (SDSR), um esforço para reduzir as Forças Armadas para enfrentar o enorme déficit orçamentário.

Hammond, que assumiu o cargo de secretário da Defesa em outubro após a renúncia de seu antecessor Liam Fox, disse que reabriria a revisão.

"Que não tenhamos ilusões - desfazer a SDSR peça a peça simplesmente não é uma opção", disse.

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