Grã-Bretanha proíbe transações bancárias com o Irã

A Grã-Bretanha determinou nesta segunda-feira que suas instituições do setor financeiro suspendam todas as transações com bancos do Irã, inclusive o Banco Central, e os Estados Unidos também devem endurecer suas sanções contra o programa nuclear iraniano.

FIONA SHAIKH E ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

21 de novembro de 2011 | 17h43

A decisão britânica, no entanto, não afeta o comércio iraniano de petróleo, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. Parece improvável também que o Tesouro dos EUA tente isolar completamente o sistema bancário iraniano, o que poderia tumultuar o mercado energético mundial e afetar a recuperação econômica dos EUA.

A Grã-Bretanha disse que as sanções são uma resposta a um novo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) sobre o Irã, que corroborou as preocupações ocidentais com uma possível faceta militar do programa nuclear iraniano.

Em Washington, uma fonte oficial disse que o Tesouro planeja qualificar ainda nesta segunda-feira o Irã como uma área de "preocupação primária com a lavagem de dinheiro", o que abre caminho para que os EUA isolem ainda mais o setor financeiro do país.

A França pediu novas sanções em uma "escala sem precedentes" contra o Irã nesta segunda-feira, propondo que as compras de petróleo iraniano sejam suspensas e que os bens do Banco Central sejam congelados.

"Na medida em que o Irã intensifica seu programa nuclear, se recusa a negociar e condena seu povo ao isolamento, a França defende novas sanções numa escala sem precedentes para convencer o Irã que (o país) deve negociar", afirmou um comunicado do gabinete do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"A França propõe, portanto, à União Europeia e a seus países membros, aos Estados Unidos, ao Japão, ao Canadá e a outras nações que desejarem que tomem a decisão de congelar imediatamente os bens do Banco Central iraniano (e) interromper compras de petróleo iraniano", acrescentou.

Teerã rejeita as acusações envolvendo seu programa nuclear, e insiste que seu objetivo é apenas gerar eletricidade para fins civis.

Henry Smith, analista de Oriente Médio da consultoria londrina Control Risks, disse que a decisão britânica não deve afetar significativamente os grandes clientes do petróleo iraniano.

"Ela essencialmente deslegitima o sistema financeiro do país, mas na verdade pode não fazer muita diferença na prática. Os chineses, indianos e outros vão continuar envolvidos (com o Irã), enquanto muitas multinacionais ocidentais já saíram", afirmou.

Ele acrescentou que as sanções são uma medida muito mais óbvia do que um eventual ataque militar por parte dos EUA ou de Israel contra as instalações nucleares iranianas.

Já John Solomon, diretor de pesquisas sobre ameaças financeiras da World-Check, agência de inteligência de risco pertencente à Thomson Reuters, disse que "o laço proverbial foi apertado, e as novas sanções vão definitivamente ter um efeito resfriador sem precedentes sobre as transações econômicas do Irã em nível global, não só na Europa, não só na Grã-Bretanha, mas até mesmo no Oriente Médio."

Por causa das sanções dos EUA, muitas empresas de produção e comercialização de petróleo já tinham dificuldades para financiar suas transações com o petróleo iraniano, do qual menos de um terço é exportado para a Europa, e o resto vai para a China e a Índia.

O Wall Street Journal havia noticiado anteriormente que o Tesouro dos EUA não imporá sanções formais ao Banco Central do Irã, em parte para evitar um choque repentino na cotação do petróleo.

(Reportagem adicional de Peter Apps, Yeganeh Torbati e Dmitry Zhdannikov, em Londres; de Ramin Mostafavi, em Teerã; e de Leigh Thomas, em Paris)

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