Grandes potências iniciam conversas sobre novas sanções ao Irã

As grandes potências deram início anegociações na sexta-feira para aplicar uma quarta leva desanções das Nações Unidas ao Irã com o objetivo de conter oprograma nuclear da república islâmica, mas a expectativa é deque Rússia e China se oponham a novas medidas punitivas. Altos representantes de França, Grã-Bretanha, Alemanha eEUA tiveram um encontro privado no Departamento de Estadonorte-americano no início desta sexta-feira para discutir o Irãe a Geórgia, invadida pela Rússia no mês passado. Ressaltando as visões divergentes, Rússia e China foramexcluídas das conversas desta manhã, mas devem se juntar aosoutros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e aAlemanha no almoço para falar sobre o Irã, disseram autoridadese diplomatas norte-americanos. Representantes europeus e norte-americanos não estavamcertos se as tensões com a Rússia por causa da Geórgia poderiamatrasar ou até impedir a imposição de novas sanções da ONUsobre o Irã, que alega que seu programa nuclear busca gerarmais eletricidade e não construir uma bomba atômica, como oOcidente suspeita. Moscou discorda das potências ocidentais sobre suas açõesna Geórgia e as relações com os EUA em particular estão em seupior momento desde o fim da Guerra Fria. "Os russos sempre foram muito relutantes e normalmente todaresolução de sanções é um calvário --três, quatro meses denegociações, vírgula por vírgula. Acho que vai ser mais oumenos igual", disse um alto representante europeu. "Creio que os grandes problemas também envolverão a China",acrescentou. "Esta resolução, se e quando a obtivermos, serámuito fraca", disse ele. As potências mundiais ofereceram um pacote de incentivoscomerciais e outros se o Irã suspender o enriquecimento deurânio. Até agora, o Irã ignorou a oferta. No início da semana, a Agência Internacional de EnergiaAtômica da ONU disse em um relatório que a intransigência doIrã fez empacar uma investigação que buscava saber se o paísvinha procurando maneiras de construir a bomba em segredo. O Irã suportou três levas de sanções limitadas da ONU atéagora, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad reiterou naquinta-feira que Teerã não vai suspender seu programa deenriquecimento de urânio, desdenhando a ameaça de novassanções. Faltando quatro meses para deixar o cargo, a influência dogoverno Bush no dossiê iraniano diminui, dizem especialistas, eTeerã, Rússia e China estão levando isso em consideração. "Meu palpite é que as sanções serão suavizadas e os russostêm toda razão de arrastar isso para que o novo governo tenhaque procurá-los", disse Gary Samore, do Conselho de RelaçõesExteriores. "Mesmo sem a Geórgia, os russos e os chineses tinham oplano de esperar pelo fim da administração Bush."

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