Grupo da Líbia premia repórter que jogou sapato em Bush

O jornalista iraquiano que jogou os sapatos contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu uma homenagem por sua bravura de um grupo de caridade da Líbia comandado pela filha do líder do país, Muammar Gaddafi. O grupo Wa Attassimou também pediu ao governo iraquiano que liberte o repórter de televisão Muntazer al-Zaidi, que foi detido no domingo por ter atirado os sapatos em Bush e o chamado de "cachorro" durante entrevista coletiva em Bagdá. Os dois atos são considerados insultos gravíssimos no Oriente Médio. "O grupo Wa Atassimou decidiu dar a Muntazer al-Zaidi o prêmio de coragem... porque o que ele fez representa uma vitória para os direitos humanos em todo mundo", disse um comunicado do grupo, chefiado por Aicha Gaddafi. A entidade acrescentou que as autoridades iraquianas deviam honrar o jornalista por sua atitude. Zaidi, acusado pelo governo iraquiano de "um ato bárbaro e infame", será processado por insulto ao Estado iraquiano, disse Yasin Majeed, conselheiro de mídia do primeiro- ministro do país, Nuri al-Maliki, que estava na entrevista ao lado de Bush. As televisões árabes e iraquianas repetiram várias vezes as imagens do incidente ocorrido no domingo, que foi considerado na região como um ato furioso contra o legado calamitoso de Bush no Oriente Médio. Aicha, que é advogada de formação, se opôs à invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, em 2003. Ela se ofereceu para defender Saddam Hussein depois que ele foi capturado. Depois de anos de tensão entre a Líbia e os Estados Unidos, houve sinais recentes de melhora na relação entre os dois países. (Reportagem de Salah Sarrar)

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