Grupo de direitos humanos diz que Síria esconde detidos

As autoridades sírias transferiram centenas de detidos para instalações militares fora do limite dos monitores da Liga Árabe, disse o Human Rights Watch (HRW), no momento em que observadores começaram uma missão para verificar se a Síria pôs fim a sua violenta repressão contra protestos anti-governo.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

28 de dezembro de 2011 | 11h59

Um relatório do grupo sediado nos Estados Unidos instou os observadores, que iniciaram sua missão na cidade de Homs, a insistir pelo acesso total a todas as instalações usadas para detenções.

O relatório, divulgado na noite de terça-feira, baseia-se em entrevistas com uma autoridade síria e com testemunhas, incluindo um detento e moradores de Homs, que disseram ter visto ônibus fortemente guardados deixarem várias prisões, o que os levou a suspeitar da transferência de presos.

A autoridade da área de segurança disse ao HRW ter recebido ordens para ajudar com "uma transferência irregular de presos" depois de Damasco ter concordado em admitir os monitores, sob um acordo que pede um fim à violência, a retirada de tropas das ruas, a libertação de prisioneiros e o diálogo com a oposição.

O relatório também diz que documentos de identificação da polícia foram emitidos para muitos soldados para lhes dar a aparência de que a polícia, e não o Exército, patrulha as ruas.

"A Síria mostrou que não vai parar diante de nada para enfraquecer o monitoramento independente de sua repressão", disse Sarah Leah Whitson, diretora do Oriente Médio no Human Rights Watch.

"O subterfúgio sírio torna essencial que a Liga Árabe trace linhas nítidas com relação ao acesso aos presos, e esteja disposta a falar quando essas linhas forem cruzadas".

Uma autoridade da área de segurança síria disse ao HRW que em 21 e 22 de dezembro, aproximadamente 400 a 600 prisioneiros foram transferidos de suas prisões para outros lugares de detenção.

"As transferências aconteceram em partes. Alguns presos foram retirados em jipes civis e outros em caminhões de carga", disse.

Ele disse que funcionários que acompanhavam os presos lhes disseram que eles estavam sendo levados para uma fábrica de mísseis em Zaidal, nos arredores de Homs.

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