Grupo pede trégua na Líbia após mortes e violência nos protestos

Regime deve ter oportunidade de 'mostrar comprometimento'; oposição denuncia repressão

Associated Press

17 de fevereiro de 2011 | 20h16

CAIRO - Um grupo chamado Forças dos Cidadãos do Leste da Líbia divulgou um documento nesta quinta-feira, 17, pedindo o fim dos confrontos entre manifestantes que querem a renúncia do coronel Muamar Kadafi e os simpatizantes do governo e as forças policiais. Os choques deixaram ao menos 20 mortos, segundo relatos de fontes da oposição.

 

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A declaração do grupo afirma que o governo poderia usar a violência como um pretexto para ignorar as demandas por liberdade e justiça. O documento pede uma trégua até o dia 2 de março para "dar ao regime a oportunidade de mostrar seu comprometimento com a transparência e a responsabilidade pelos resultados". O grupo, segundo fontes próximas, inclui membros do governo.

 

Os líbios opositores a Kadafi, que está há 42 anos no poder, foram às ruas nesta quinta convocados para um "dia de fúria", a exemplo das revoltas populares que derrubaram ditaduras de décadas no Egito e na Tunísia. Houve confrontos dos manifestantes com partidários do coronel e com as forças de segurança, destacadas para conter as marchas.

 

Sites e ativistas da oposição relataram violência por parte das forças de segurança. Ao todo, 20 pessoas podem ter morrido segundo esses relatos, mas o número pode ser maior. A imprensa sofre forte controle do governo no país e por isso as cifras não podem ser confirmadas independentemente. Os manifestantes querem mais liberdade política, respeito aos direitos humanos e o fim da corrupção do governo do coronel.

 

Kadafi chegou a tomar medidas para tentar apaziguar as manifestações. Ele dobrou o salário de servidores públicos e libertou 110 militantes islâmicos supostamente contrários ao governo. Mesmo assim, as marchas continuaram nas cidades de Benghazi, Beyida, Zentan, na capital Tripoli e outras localidades. Houve relatos de dezenas de manifestantes sendo levados aos hospitais, alguns com ferimentos a balas causados pelas forças de segurança.

 

A agência estatal noticiou apenas as marchas pró-governo, anunciando que elas expressam "a unidade eterna com o irmão líder da revolução", como Kadafi é conhecido. Os grupos opositores, por sua vez, denunciaram a violência das forças de segurança.

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