Grupos guerrilheiros combatem Estado Islâmico na Síria

Pequenos grupos de sírios estão caçando combatentes do Estado Islâmico em um dos maiores redutos da facção no leste da Síria, uma nova campanha guerrilheira que emergiu em reação à brutalidade crescente dos militantes islâmicos.

REUTERS

13 de outubro de 2014 | 17h55

O objetivo principal dessas guerrilhas é causar medo nas fileiras do Estado Islâmico, afirmou o líder da “Mortalha Branca” – grupo que diz ter matado mais de 100 combatentes da facção radical em ataques à província de Deir al-Zor nos últimos meses.

O nome reflete este objetivo: é uma referência à mortalha que a guerrilha afirma esperar os militantes do Estado Islâmico responsáveis por crimes contra o povo sírio, disse o chefe do grupo, Abu Aboud, em uma entrevista via Skype.

Enquanto os Estados Unidos levam adiante seus planos para treinar e equipar a oposição moderada ao presidente sírio, Bashar al-Assad, como parte de sua estratégia para enfrentar o Estado Islâmico, o surgimento de tais grupos mostra como os radicais sunitas criaram novos inimigos em solo sírio.

Abu Aboud, que se recusou a dar seu verdadeiro nome por motivos de segurança, foi comandante de um grupo insurgente antiAssad derrotado pelo Estado Islâmico, mais bem-armado e financiado, quando este assumiu o controle quase total de Deir al-Zor no início do ano.

O pequeno grupo que ele lidera agora não está em condição de causar grandes danos ao Estado Islâmico, mas acaba representando um desafio no momento em que os EUA e seus aliados alvejam o grupo com ataques aéreos na Síria e no Iraque.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, entidade sediada em Londres que monitora a guerra com fontes no país conflagrado, vem relatando um número crescente de ataques de homens armados contra alvos do Estado Islâmico na província de Deir al-Zor que, juntamente com a província de Raqqa, mais ao norte, representa o cerne da influência dos militantes radicais na Síria.

A Mortalha Branca não tem clemência com o Estado Islâmico: quando consegue sequestrar um de seus membros é somente para “liquidá-lo” mais tarde, declarou Abu Aboud.

A guerrilha opera dentro e nos arredores da cidade de Al Bukamal, na fronteira com o Iraque, uma área de importância crucial para o Estado Islâmico por ser o elo entre os territórios que controla na Síria e no Iraque.

Atualmente, o grupo conta com 300 membros, disse Abu Aboud.

“Oitenta por cento dos membros da Mortalha Branca não participaram de combates antes de eles (Estado Islâmico) surgirem. Nós os treinamos e eles se uniram a nós por causa da grande opressão que sentiram depois que o Estado Islâmico assumiu o controle”, afirmou Abu Aboud.

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