Grupos que controlam Trípoli temem falta de controle sobre armas

Armas apreendidas de depósitos em Trípoli foram levadas para outras partes do país por combatentes rebeldes que participaram da derrubada do líder líbio Muammar Gaddafi, disse neste sábado um representante de um dos grupos armados que controlam a cidade.

JOSE, REUTERS

24 Setembro 2011 | 17h08

Abdelraouf al-Kurdi, representante de combatentes do bairro de Souq al-Jum'a, em Trípoli, fez a declaração num momento em que os novos dirigentes do país enfrentam dificuldade para formar um governo de transição, no qual o papel de cada região é uma questão-chave, motivo de divergências.

"Há uma proliferação de armas, sejam do velho regime ou de pessoas que, depois do dia 20, entraram em depósitos e pegaram os armamentos", disse ele, referindo-se ao dia do mês de agosto em que os combatentes lançaram a ofensiva que culminou na derrubada de Gaddafi.

Há a preocupação de que milícias possam começar a agir em defesa de interesses regionais e, desse modo, minar a autoridade central que os novos líderes da Líbia estão tentando formar.

As forças do governo interino operam com unidades disparatadas, com base em suas cidades de origem e pouca ligação com um comando central.

"Há armas que as kata'ib (brigadas) de Zintan e Misrata levaram para suas cidades, mas não são indivíduos que estão ficando com essas armas", disse Kurdi, acrescentando que há algum grau de coordenação entre vários grupos armados.

"Com relação às brigadas que vieram de fora de Trípoli, as brigadas de Misrata e Zintan, bem, há completo acordo e contato entre nós e eles. Quanto a alguns grupos de fora (de Trípoli), nós estamos agora recolhendo as armas deles."

Kurdi fez as declarações à margem de uma conferência que está sendo realizada em Trípoli com a finalidade de ajudar na formação do país, da qual tomam parte representantes dos Estados Unidos, da Turquia e do Conselho de Transição Nacional (CNT), o governo interino líbio.

Uma autoridade do CNT, Osama Abu Ras, afirmou que todos os combatentes anti-Gaddafi estão cientes da solicitação do governo interino de que todas as armas sejam registradas e guardadas em depósitos com segurança.

A capital tem permanecido quase completamente calma desde que os combatentes do CNT invadiram o complexo de edifícios do governo de Gaddafi, que fugiu e está em local desconhecido.

Não está inteiramente claro qual é o compromisso de lealdade das unidades armadas na capital para com o governo interino. Além disso, surgiram atritos por causa da presença de homens armados de outras partes do país na cidade.

O principal comandante militar em Trípoli, Abdel Hakim Belhadj, vem dizendo que pretende unificar todas as forças da capital em um único comando.

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