Guarda iraniana nega ameaça a navios americanos

EUA dizem que ação foi 'fora do normal'; Teerã reitera direito de exigir monitorar águas do Golfo Pérsico

Agência Estado e Associated Press,

08 de janeiro de 2008 | 13h53

Um comandante da Guarda Revolucionária iraniana negou nesta terça-feira, 8, que lanchas da tropa de elite enviaram mensagens ameaçadoras para cinco navios da Marinha americana no Estreito de Ormuz, em incidente ocorrido neste final de semana. Os Estados Unidos reagiram à declaração e alertaram que "eles não devem fazer isso novamente". "Foi fora do normal, foi imprudente", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, enquanto o presidente dos EUA, George W. Bush se prepara para viagem ao Oriente Médio. O comandante Ali Reza Tangsiri disse que as lanchas se aproximaram do comboio americano na manhã de domingo e pediram que se identificassem. Depois da identificação, eles permitiram que a frota americana continuasse seu trajeto pelo Golfo Pérsico. "Nenhuma mensagem ameaçadora foi enviada", garantiu ele à televisão estatal.  A Guarda Revolucionária defendeu também o direito de exigir identificação dos navios. "É uma responsabilidade básica das unidades de patrulha empreender as medidas necessárias de interceptação de qualquer navio que entre nas águas do Golfo Pérsico", disse o comandante Ali Reza Tangsiri.  Oficiais americanos disseram que os barcos iranianos provocaram os navios americanos ameaçando explodi-los, qualificando o incidente de uma "séria provocação" no momento em que Bush vai partir para um giro pelo Oriente Médio.  Um alto comandante americano na região disse que os barcos iranianos emitiram por rádio uma mensagem dizendo que estavam "se aproximando dos navios e que iriam explodi-los - os navios americanos explodirão", disse Kevin Cosgriff, comandante da 5ª esquadrilha americana, que patrulha o golfo. Ainda segundo as autoridades americanas, os barcos iranianos jogaram caixas na água e alertaram os americanos que iriam começar as explosões, disse um oficial do Departamento de Defesa americano. O governo Bush confirmou o incidente e pediu que o Irã pesasse suas ações. "Instamos os iranianos a refrearem tais ações provocativas que podem levar a um incidente perigoso no futuro", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto. Os navios de guerra dos Estados Unidos ficaram em posição de tiro, mas as embarcações iranianas viraram repentinamente e foram embora, depois de ficarem a quase 200 metros de distância dos navios americanos, que estariam em águas internacionais. O Ministério do Exterior do Irã minimizou ontem o incidente, definido por Teerã como "algo normal", e disse que a questão está resolvida. A marinha americana e oficiais iranianos disseram que várias vezes barcos de guerra dos dois países entraram em contato nas águas estreitas e com tráfego comercial pesado de navios do Golfo Pérsico. Freqüentemente, as embarcações se comunicam por rádio para evitar incidentes. O estreito de Ormuz, uma pequena passagem entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é uma rota chave no transporte internacional de petróleo.

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