Guarda Revolucionária iraniana está na América Latina, diz Pentágono

Segundo relatório, forças do Irã participaram de atentados terroristas e estão presentes no mundo todo

22 de abril de 2010 | 22h26

Efe

 

WASHINGTON- O Pentágono advertiu o Congresso americano sobre a presença da Guarda Revolucionária iraniana na América Latina, em particular na Venezuela, em um documento que foi divulgado nesta quinta-feira, 22, depois de ser parcialmente descartado.

 

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"A Guarda Revolucionária Islâmica mantém capacidade operacional no mundo todo. Está bem estabelecida no Oriente Médio e no Norte da África, e recentemente aumentou sua presença na América Latina, particularmente na Venezuela", afirma o relatório.

 

O documento, que data de abril de 2010, indica que, "se os Estados Unidos ampliarem sua interferência nos conflitos nessas regiões, o contato com a Guarda Revolucionária, diretamente ou através dos grupos extremistas que apoia, será mais frequente".

 

Além disso, o texto coloca que as forças iranianas estiveram envolvidas em alguns dos atentados terroristas mais sangrentos das duas últimas décadas, inclusive os ataques à Embaixada dos Estados Unidos em Beirute em 1983 e 1984 e o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, em 1994.

 

"O regime iraniano utiliza a Guarda Revolucionária para exercer pressão econômica, política e militar clandestinamente nos lugares onde o Irã tem interesses", acusa o comunicado.

 

O Pentágono envia todo ano um documento ao Congresso no qual analisa a estratégia militar do Irã e as previsões de suas capacidades futuras.

 

O Departamento de Defesa americano afirma que, nas três últimas décadas, o Irã cultivou uma rede para patrocinar grupos terroristas como o Hamas, o grupo radical libanês Hezbollah, os grupos xiitas iraquianos, o movimento da jihad islâmica palestino e o Taleban no Afeganistão.

 

O país árabe "utiliza o terrorismo para pressionar e intimidar outros países e, mais amplamente, para apoiar sua estratégia dissuasória".

 

O Pentágono considera que a estratégia militar iraniana está voltada para se defender contra "ameaças externas" dos EUA e de Israel. Para a Defesa americana, o programa nuclear de Teerã "mantém aberta a possibilidade de desenvolver uma arma nuclear".

 

O relatório adverte ainda que, "com suficiente ajuda estrangeira", o Irã poderia desenvolver e testar um míssil intercontinental em 2015 com capacidade de atingir os Estados Unidos.

 

"O Irã também poderia ter um míssil balístico de médio alcance com capacidade para ameaçar a Europa", acrescenta.

 

Em fevereiro passado, o Irã rejeitou uma oferta dos Estados Unidos, Reino Unido e Rússia para intercambiar combustível nuclear e ordenou a seus cientistas que iniciem o enriquecimento de urânio a 20%, apesar das advertências internacionais.

 

Além disso, o país anunciou a instalação de centrífugas mais potentes e a construção de uma nova usina nuclear este ano. Desde então, Washington tenta fazer acordos para novas sanções internacionais para tentar frear o programa nuclear iraniano.

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