Guardas egípcios começam a fechar fronteira com Gaza

Forças de segurança impedem palestinos de entrar no país para buscar suprimentos após bloqueio israelense

Agências internacionais,

25 de janeiro de 2008 | 08h07

Guardas egípcios começaram a fechar a fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza na quinta-feira, 24, formando um escudo humano e impedindo a travessia de palestinos para o país vizinho, disseram testemunhas. Oficiais reprimiram com jatos d´água os palestinos que tentavam cruzar a divisa nesta sexta e alertavam com alto-falantes que a fronteira seria fechada às 15 horas (horário local).  Veja tambémVeja as imagens  Israel restringe acesso de palestinos a mesquita em Jerusalém Os guardas permitem apenas a passagem de palestinos que pretendam voltar para Gaza após visitar o Egito. Segundo estimativas, cerca de 700 mil palestinos atravessaram para o Egito desde a noite de quarta-feira, quando um trecho do muro que separa os dois territórios foi demolido. A maioria dos habitantes da Faixa de Gaza atravessou a fronteira para comprar alimentos e outros produtos, já que o território está sob bloqueio de Israel e sofre sérios problemas de abastecimento.  Porém, fontes das Forças de Segurança afirmaram que os militares ainda não receberam ordens diretas para fechar o acesso ao país em nenhum prazo específico, e que um anuncio semelhante sobre a interdição da fronteira foi feito na quinta-feira e não foi cumprido. O fechamento da maioria das passagens abertas há três dias por milicianos do Hamas provocou "avalanches" de palestinos, que fogem do território palestino pelo último buraco que resta aberto. Em sua fuga desesperada, jovens, crianças e famílias inteiras derrubaram uma parte do muro que impedia sua passagem para território egípcio.Além disso, abriram dois novos buracos em uma zona alambrada da fronteira por onde estão passando de um lado para outro, apesar dos esforços dos policiais egípcios, que foram alvo das pedras lançadas pelos palestinos. No tumulto, pôde ser ouvida uma rajada de disparos. Por enquanto, não se sabe se houve vítimas.Militantes do Hamas usaram uma escavadeira para abrir uma nova passagem para o Egito. Um oficial egípcio responsável pela segurança disse a dois membros da Força Executiva do Hamas que atravessaram a fronteira que não fecharam ainda "porque estão passando muitas mulheres e crianças".  Isenção israelense Uma crise por causa da responsabilidade pela Faixa de Gaza provocou ontem um grave revés nas relações entre Egito e Israel. O governo egípcio acusou o israelense de tentar jogar em suas costas toda a responsabilidade pela situação no território palestino. Não estava claro se a proposta de Israel de abrir mão de todo o controle sobre Gaza, manifestada em particular por vários funcionários israelenses e publicamente por um deles, era séria ou um esforço para testar a reação internacional à idéia. Mas funcionários e líderes egípcios reagiram duramente. Para Ahron Bregman, especialista em Oriente Médio do Kings College, de Londres, o Egito está numa encruzilhada. "A enxurrada de moradores de Gaza no Sinai é um pesadelo especialmente para o Egito", disse Bregman ao Estado. "O presidente Hosni Mubarak enfrenta um grande dilema. Por um lado, ele não quer ser visto como alguém que abandona os palestinos e ignora seu sofrimento. Mas ele também não pode permitir essa invasão no Egito." Bregman alertou que, se a responsabilidade por fornecer suprimentos a Gaza fosse entregue ao Egito, as autoridades israelenses não teriam mais como monitorar as pessoas que cruzam a fronteira e as que voltam com armas e munição que seriam usadas contra Israel. Fawaz Gerges, da Universidade Sarah Lawrence, de Nova York, ressaltou que, mesmo que o Egito aceitasse administrar o fornecimento de suprimentos a Gaza, isso não resolveria o conflito. "Somente um amplo acordo de paz que encerre a ocupação militar dos territórios palestinos e leve à criação de um Estado palestino viável que viva em paz com Israel pode ser a solução", disse Gerges. Um porta-voz do Hamas - o grupo radical islâmico que tomou o controle de Gaza em junho, após derrotar a expulsar as forças de segurança ligadas à Autoridade Palestina - disse que Israel não pode ser isento de responsabilidade, "já que a Faixa de Gaza ainda é um território ocupado". Gerges assinalou que, "apesar da retirada de Gaza, Israel ainda domina o ar, o mar e o direito de entrar e sair" do território. "Enquanto Gaza continuar sendo uma prisão, é improvável que haja estabilidade e segurança no território", acrescentou. (Com Angela Perez, de O Estado de S. Paulo) Matéria ampliada às 11h50.

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