Guerra de Gaza custa US$ 130 milhões aos cofres de Israel

Oficial de média patente da reserva israelense, que vive no Brasil, confirma estimativa da Bolsa de Tel-Aviv

Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo,

11 de janeiro de 2009 | 18h41

A guerra de Gaza custa cerca de US$ 8 milhões por dia aos cofres de Israel. Em pouco mais de duas semanas, as despesas chegam a US$ 130 milhões. E esse é apenas o preço das operações militares – nada a ver com as perdas indiretas, representadas pela interrupção da produção industrial, a redução da atividade do comércio e colapso no turismo ou com índices negativos, como o da inflação e do desemprego. A avaliação, do boletim de conjuntura da Bolsa de Valores de Tel-Aviv, não surpreendeu Ariel, nome fictício de um oficial de média patente da reserva israelense, que vive no Brasil. Ex-integrante das forças especiais, veterano da campanha no sul do Líbano em 2006, é, também, um especialista em gestão empresarial – e concorda com o valor da conta do conflito. Para ele, o governo de Israel pode manter esse ritmo por mais duas semanas, em regime de contenção, ou mesmo por mais um mês, nesse caso sob condições de exceção, previstas em lei, semelhantes às vigentes no Estado de Sítio.   Ataque aereo israelense sobre a cidade de Gaza, neste domingo, 11. Foto: Mohammed Saber/EFE     Veja também: Ofensiva deve continuar até atingir objetivo, diz Olmert Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Correspondente do 'Estado' fala sobre o conflito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Uma hora de voo de caça em condições de ataque - só o voo, sem contabilizar bombas inteligentes e mísseis que podem custar até US$ 1,5 milhão - não sai por menos de US$ 5 mil. A estimativa é de que a aviação israelense tenha mobilizado cerca de 60 supersônicos F-16 Block 60 e F-15D, responsáveis por cerca de 120 saídas de combate. Além dessa força, destaca Ariel, devem ser considerados os cerca de 30 helicópteros Apache e Cobra, encarregados da cobertura de ponto. Em terra, a fatura do deslocamento de tanques Merkava de 65 toneladas e dos blindados usados para o transporte de tropas é variável, "mas um tiro de munição especial de 120 mm perfurante não sai por menos de US$ 2,5 mil".   Os soldados dos grupos especiais de onde saiu Ariel, são recrutados por indicação, observação dos comandantes e líderes ou por tradição familiar. Os três irmãos Netanyahu – Benjamin, ex-primeiro ministro, candidato às eleições de fevereiro; Jonathan, morto no resgate dos reféns em Entebbe, e Iddo, todos pessoas públicas – serviram na unidade Sayeret Matkal. "São as equipes em missão de ponta nessa fase da luta", explica Ariel. Cada integrante passa por 16 a 20 meses, em média, de duro treinamento. "No final a intenção é que todos conheçam seus companheiros de tal forma que saibam identificá-los, no escuro, pelos movimentos da sombra e até pelo cheiro", explica. Desde 2005 a instrução passou a incorporar também os padrões de adestramento dos guerrilheiros palestinos: "a melhor forma de conhecer o inimigo é aprendendo a agir e pensar como ele", garante o oficial da reserva. Pronto para entrar no teatro de operações, o militar estará habilitado em artes marciais, navegação, reconhecimento, camuflagem, sabotagem, contraterrorismo, uso de armas leves e tiro de precisão. Pode permanecer em campo por tempo indefinido. Mas o preço é alto. Treino, manutenção e equipamento não saem por menos de US$ 250 mil ao ano. Ariel só não está em Gaza por causa de uma complexa cirurgia a que foi submetido nos primeiros dias de novembro da qual ainda não se recuperou totalmente. Se fosse convocado estaria liderando um dos times do Exército cuja missão é prender ou eliminar os milicianos, experimentados combatentes da guerrilha, "bem diferentes dos falahim, os novatos, quase todos garotos, muito motivados e pouco preparados". É junto a essa massa de militantes entre 14 e 25 anos que Ariel encontra a falha mais importante da ação de Israel. "Não há nenhuma iniciativa para conquistar corações e mentes dessa gente, nada que explique que o inimigo não é ele, é o sujeito que não concorda em negociar, que fez do terror um negócio e que recruta mártires (os homens bomba, por exemplo) enquanto ele mesmo mantém a família na Europa e não se sacrifica".  

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