Guerra fortaleceu extremistas em Gaza--chefe de agência da ONU

A invasão de Israel em Gaza fortaleceu os extremistas e apenas uma investigação independente e confiável sobre supostos crimes pode aplacar o crescente sentimento de revolta dos palestinos, disse na sexta-feira John Ging, chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Gaza. Ging pediu que o novo enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, converse com pessoas comuns em Gaza como parte de um "novo curso" na diplomacia. O presidente dos EUA, Barack Obama, nomeou Mitchell na quinta-feira, ex-senador que trabalhou nas negociações do conflito na Irlanda do Norte, para tentar revitalizar as negociações de paz entre árabes e israelenses. "Minha primeira solicitação ao governo dos EUA é que conversem com as pessoas comuns em Gaza. Venham a Gaza e conversem com pessoas comuns - mães, pais, líderes da sociedade comum, as pessoas não envolvidas em política", disse Ging a repórteres em Genebra, falando a partir de Gaza. "Eles ainda estão muito chocados, mas uma revolta crescendo cada vez mais", disse. "É urgente que se estabeleça a responsabilidade pelas mortes e pela destruição da infra-estrutura palestina por meio de mecanismos confiáveis que iriam "canalizar essa emoção para a confiança na regra da lei", afirmou Ging. "Os extremistas aqui - eles são em maior número agora ao final desse conflito do que quando ele começou, esse é o produto de um conflito como esse - estão muito confiantes em sua retórica de que não deve haver expectativa de que a justiça será feita pela regra da lei. Agora temos de provar o contrário", disse ele. A investigação deveria examinar "acusações legítimas" de ambos os lados, uma vez que os civis israelenses também sofreram, afirmou ele. "Mas esse é um desafio que temos de alcançar. Porque, caso não façamos isso, teremos concedido à agenda aos extremistas aqui em Gaza", acrescentou. Os ataques israelenses mataram 1.300 pessoas e deixaram milhares de desabrigados em uma ofensiva que durou 22 dias. Israel diz que a ação teve como objetivo pôr fim aos disparos de foguetes pelo Hamas contra o sul de Israel. O Hamas e Israel declararam cessar-fogo no domingo e Israel se retirou da Faixa de Gaza.

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