Guerra no Afeganistão está cada vez pior para civis, alerta Cruz Vermelha

A guerra no Afeganistão está piorando para os civis, com grupos armados em ascensão em todo o país e o acesso aos cuidados de saúde se deteriorando à medida que as tropas de combate estrangeiras partem, afirmou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nesta segunda-feira .

ROB TAYLOR E MIRWAIS HAROONI, Reuters

08 de outubro de 2012 | 13h27

O chefe da delegação do CICV no Afeganistão, Reto Stocker, um veterano de sete anos dos esforços de ajuda no Afeganistão, disse que a guerra liderada pela Otan contra o Taliban se arrastava pelo décimo segundo ano, com as perspectivas para os afegãos comuns cada vez mais sombrias.

"Desde que cheguei aqui, em 2006, grupos armados locais têm se proliferado. Civis se viram presos em não apenas uma, mas várias linhas de frente", disse Stocker aos jornalistas em Cabul.

Com as forças de combate da Otan devendo partir em 2014, grupos de ajuda e alguns diplomatas ocidentais estão preocupados com uma repetição da guerra civil dos anos 1990 que explodiu entre facções rivais étnicas, dando origem ao governo austero Taliban.

Alguns funcionários de segurança e de ajuda no norte do país, no passado um centro de resistência anti-Taliban e onde a maior parte dos recursos de petróleo e gás inexplorados do Afeganistão está localizado, dizem que os insurgentes e outros grupos armados estão se preparando para um vácuo de segurança após a saída das forças estrangeiras.

Uma análise de segurança preparada pelo Grupo de Crise Internacional (ICG), também divulgada nesta segunda-feira, apontou que o governo cada vez mais impopular do presidente Hamid Karzai pode entrar em colapso após a retirada da Otan, especialmente se as pessoas perderem a confiança no resultado das eleições presidenciais do mesmo ano.

"Atormentado por sectarismo e corrupção, o Afeganistão está longe de estar pronto para assumir a responsabilidade pela segurança quando as forças norte-americanas e da Otan se retirarem em 2014", disse o ICG.

"No ambiente atual, as perspectivas de eleições limpas e de uma transição suave são pequenas."

Somando-se aos problemas de Karzai, os diplomatas ocidentais em Cabul dizem que os doadores que, juntos, prometeram ajuda civil no valor de 16 bilhões de dólares ao longo dos próximos quatro anos atrelados a sérios esforços para combater a corrupção endêmica, estão perdendo a esperança de que o governo vai cumprir sua parte.

"Vários países estão considerando seriamente tirar a ajuda", disse um representante sênior, que não quis ser identificado devido à sensibilidade diplomática.

O principal porta-voz de Karzai, Aimal Faizi, disse que o relatório do ICG havia sido discutido em uma reunião de gabinete normal nesta segunda-feira e rejeitado por ministros como "infundado e longe da realidade em solo".

Stocker disse estar confiante de que não haveria uma repetição da guerra civil da década de 1990 que se seguiu à corrida soviética do país, deixando antigos senhores da guerra aliados confrontando um ao outro.

No combate que colocou o ex-presidente Burhanuddin Rabbani e seu comandante militar, Ahmad Shah Masood, contra as forças do rival anti-soviético Gulbuddin Hekmatyar, dois terços de Cabul foram arrasados e cerca de 50 mil civis morreram. Milhares de mulheres e crianças foram violadas e torturadas.

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