Hamas abriu fogo de dentro de prédio da ONU, acusa premiê

Olmert responsabiliza militantes pelo bombadeio do Exército israelense contra complexo na Cidade de Gaza

Agências internacionais,

15 de janeiro de 2009 | 13h11

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou nesta quinta-feira, 15, que o complexo da ONU foi bombardeado na Faixa de Gaza depois que militantes abriram fogo contra soldados de dentro do local. A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que o prédio da sede de sua Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA) foi atingido por um bombardeio israelense na Faixa de Gaza nesta manhã, deixando três feridos. Mais cedo, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu desculpas pelo incidente, reforçando a tese de que há fortes divergências sobre a ofensiva dentro do governo israelense. Olmert defende a continuação da ofensiva, enquanto Barak e a chanceler, Tzipi Livni, dizem que é melhor aceitar uma trégua antes que comecem a ocorrer mais baixas no lado israelense.   Veja também: Ministro do Interior do Hamas foi morto, dizem israelenses Invasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízos Há elementos para encerrar guerra 'agora', diz Ban ONU: há elementos para encerrar invasão 'agora'  Número de mortos em Gaza já passa de mil  Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos   Veja imagens de Gaza após os ataques         O complexo da ONU bombardeado é usado como abrigo por centenas de pessoas que fugiram de suas casas durante a ofensiva israelense. O local abriga, além da agência da ONU, outros escritórios e uma escola. O porta-voz da ONU Chris Gunness afirmou que grandes quantidades de ajuda humanitária, assim como caminhões de combustível, podem ser destruídos. A sede da ONU atacada é também o centro de operações de vários meios de comunicação árabes e ocidentais, entre eles as redes de televisão americana Fox, a britânica Sky News e a luxemburguesa RTL. Era lá que ficava a sede da agência de notícias Reuters, e as das redes árabes Al Arabiya e MBC. O hospital do Crescente Vermelho, na Cidade de Gaza, também foi atacado.   Complexo da ONU em Gaza após ataque do Exército israelense. Foto: AP   Durante encontro com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, Olmert afirmou que o bombardeio foi um "triste incidente", mas que os Hamas era responsável. A ONU nega as alegações israelenses de que militantes estariam no local. "Nós não queremos que incidentes desse tipo ocorram e peço desculpas, mas não sei se você sabe, mas o Hamas disparou do complexo da UNRWA", afirmou Olmert, referindo-se à agência da ONU para refugiados palestinos. "Esse é um incidente triste e eu me desculpo por ele."   Em vista a Israel Ban Ki-Moon disse ter protestado incisivamente junto a Barak, que chamou o incidente de "um grave erro". "Apresentei meu forte protesto e ultraje ao ministro da Defesa e à ministra de Relações Exteriores, e exigi uma plena explicação", disse Ban. "O ministro da Defesa me disse que foi um grave erro e que levou isso muito a sério. Ele me garantiu que será dada atenção extra às instalações e funcionários da ONU, e que isso não irá se repetir". Ban disse que o número de mortos atingiu "um ponto intolerável".   Christopher Gunness, porta-voz da UNRWA, disse após o ataque que a agência suspendera a movimentação de veículos, mas sem interromper as operações de ajuda. As forças israelenses aprofundaram a sua incursão na Cidade de Gaza, e os combates se intensificaram, ampliando a pressão sobre o Hamas num momento em que ambas as partes avaliam uma proposta de cessar-fogo. Os bombardeios da quinta-feira foram os mais violentos em três semanas de conflito.   No mesmo dia, um míssil ou foguete de Israel atingiu um edifício, no centro da Cidade de Gaza, onde funcionam as sucursais da Reuters e de vários outros meios de comunicação. Dois cinegrafistas de uma TV de Abu Dhabi ficou ferido. Um hospital do Crescente Vermelho Palestino também foi alvo de bombardeios do Exército israelense. Segundo o canal, que cita fontes do Crescente Vermelho Palestino, a farmácia do hospital e o segundo andar de um edifício que abriga vários escritórios administrativos no bairro de Tel Hawa estão em chamas, em consequência dos bombardeios.   Violação ao direito internacional   Também nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma sessão de emergência na qual seu presidente acusou Israel de violar a legislação internacional ao fazer pressão com sua excessiva ofensiva militar na Faixa de Gaza.   Um delegado israelense tentou obstruir a sessão com medidas de conduta, argumentando que, sob a Carta da ONU, a assembleia de 192 membros não pode intervir num assunto que já está sendo discutido pelo poderoso Conselho de Segurança.   A alegação de Israel, no entanto, foi repudiada e o presidente da assembleia, o nicaraguense Miguel d'Escoto Brockmann, abriu a sessão requerida por 118 Estados membros que formam o movimento de países não-alinhados. "Os ataques contra Gaza continuam sem cessar. Gaza está em chamas e se transformou em um verdadeiro inferno", disse D'Escoto.  

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelpalestinosFaixa de GazaHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.