Hamas apresenta condições para finalizar hostilidades em Gaza

Líder do grupo militante fez discurso inflamado na Al-Jazeera neste sábado e comparou ataques ao 'holocausto'

Agências Internacionais,

10 de janeiro de 2009 | 18h19

O principal líder do Hamas, Khaled Meshaal, apresentou neste sábado, 10, uma série de condições para aceitar o final das hostilidades na Faixa de Gaza e afirmou que não aceitará nenhum armistício enquanto continuar a ocupação israelense. Meshaal, em discurso televisionado, afirmou que qualquer iniciativa em favor da paz em Gaza deve incluir o final da agressão israelense, a "imediata retirada" de Gaza, a interrupção do bloqueio desta localidade e a abertura das passagens fronteiriças. Ele fez um discurso inflamado no canal árabe Al-Jazeera, condenando os ataques israelenses na Faixa de Gaza, descrevendo-os como um "holocausto".   Veja também: Presidente da ANP diz que 'agressão' deve parar Israel mira novos alvos; 9 mortos em ataque com tanque Após fracasso da ONU, Egito tenta cessar-fogo ONU afirma que 257 crianças palestinas morreram em Gaza Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Correspondente do 'Estado' fala sobre o conflito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        Em seu discurso, de meia hora, o líder do Hamas disse que "qualquer iniciativa" para conseguir uma interrupção das hostilidades em Gaza tem que estar baseada nestes pontos. "Estas são nossas demandas e rejeitaremos qualquer iniciativa que não aceite estes pontos", declarou Meshaal, no discurso gravado em Damasco, onde vive exilado.   Desde que Israel lançou uma ofensiva contra Gaza, no dia 27 de dezembro, aconteceram várias tentativas de alcançar uma trégua, a última delas promovida pelo Governo do Egito. No entanto, nenhuma proposta foi aceita pelas duas partes, embora ainda haja negociações em curso. Em sua mensagem gravada, Meshaal, que parecia improvisar e de vez em quando olhava suas anotações, esclareceu que o Hamas "não aceitará nenhuma iniciativa para uma trégua enquanto estiver sob o fogo" de Israel.   Também disse que não é a primeira vez que palestinos e israelenses negociam uma trégua, mas esclareceu que não haverá um armistício, pois, acrescentou, "enquanto houver ocupação haverá resistência" contra Israel. "O povo palestino tem o direito de resistir à ocupação", afirmou.   O Hamas assumiu o controle de Gaza em junho de 2007, após duros combates com grupos palestinos rivais leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Desde então, Gaza está bloqueada e as passagens fronteiriças só estão abertas para ajuda humanitária. As hostilidades em Gaza explodiram após acabar o cessar-fogo de seis meses que esteve vigente até o dia 19 de dezembro passado. O Hamas começou a lançar foguetes contra o território israelense e Jerusalém respondeu com seus ataques aéreos e, posteriormente, com uma ofensiva terrestre.   Meshaal também deixou claro que o Hamas não aceitará nenhuma força internacional em Gaza, uma possibilidade que estava estipulada na proposta de paz egípcia. "As consideraremos como forças de ocupação", acrescentou. Ele confirmou que representantes de seu movimento estão negociando no Cairo um possível cessar-fogo e disse que estão na capital egípcia para "explorar caminhos" que permitam interromper a ofensiva militar israelense.   Em sua mensagem, Meshaal disse que o Hamas "não escolheu a guerra" e acrescentou que sua luta deve seguir para "ganhar a liberdade" dos palestinos. "Toda nação tem direito de resistir", insistiu. Fez um apelo a suas forças e a todos os palestinos para resistirem contra Israel e disse que "depois deste banho de sangue" se consolida a determinação dos líderes palestinos. "Não aceitaremos uma trégua permanente. Esta luta para nós é contra a ocupação. Temos que ser pacientes e seremos vitoriosos", concluiu o líder do Hamas.   Atualizado às 19h29 para acréscimo de informações

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