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Hamas assume autoria de ataque em Jerusalém

Rádio afirma que tiroteio em seminário judaico é represália à ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza

Reuters e Associated Press,

07 de março de 2008 | 11h18

O grupo islâmico Hamas assumiu a autoria do atentado contra um seminário judaico, em Jerusalém, que deixou oito mortos, segundo afirmou nesta sexta-feira, 7, uma autoridade do grupo. A declaração foi feita no mesmo dia em que Israel reforçou a segurança em Jerusalém e na Cisjordânia para evitar novos incidentes, depois do tiroteio na cidade sagrada na quinta-feira.   Veja também: Israel amplia segurança contra palestinos após tiroteio Milhares participam de funeral das vítimas Tiroteio em seminário mata 8 em Jerusalém Grupo desconhecido reivindica atentado Bush diz 'estar firme' com Israel Atentado foi o pior dos últimos 2 anos França condena ataque 'com a máxima firmeza'   Milhares de israelenses reuniram-se diante do seminário para o início da procissão fúnebre em homenagem aos mortos, todos eles alunos que estavam na biblioteca do local no momento do ataque. Um rabino lia salmos em hebraico enquanto milhares participavam da cerimônia. Um dos mortos tinha 26 anos. Os demais tinham entre 15 e 19. As pessoas aglomeravam-se nas varandas das casas e dos prédios para observar a cerimônia, depois da qual os corpos seriam sepultados.   "O movimento Hamas anuncia sua plena responsabilidade pela operação em Jerusalém. O movimento vai divulgar detalhes mais tarde", disse a autoridade à Reuters, na condição de anonimato.   Alaa Abu Dheim, o autor do ataque, foi morto mais tarde por um aluno que também é oficial do Exército de Israel, disse David Simchon, diretor do seminário. Familiares de Abu Dheim o descreveram como um jovem quieto e intensamente religioso, mas asseguraram que ele não militava em nenhum grupo radical e estava de casamento marcado para este ano.   Um locutor da rádio do Hamas afirmou nesta sexta que o braço armado do grupo havia prometido "uma dura resposta" à violência dos últimos dias em Gaza. Logo a seguir, a rádio qualificou o ataque como "fruto do que aconteceu em Jabaliya", onde concentraram-se as ações israelenses contra Gaza. A rádio também conclamou o seguidores do Hamas a "celebrarem a vitória contra o inimigo brutal".   O ataque é a segunda crise a afetar o processo de paz esta semana. Alguns dias atrás, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, suspendeu sua participação nas negociações em meio a uma ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza que resultou na morte de mais de 120 palestinos, civis em sua maioria, motivada pelos 500 foguetes atirados contra civis israelenses em oito semanas.   Apesar do incidente, Israel não suspenderá as negociações de paz com os palestinos, assegurou nesta sexta-feira uma fonte do governo israelense. Segundo um funcionário, autoridades levarão adiante as negociações "para não punir os palestinos moderados pelas ações daqueles que não são apenas nossos inimigos, mas inimigos deles também".   O porta-voz policial Micky Rosenfeld disse que Israel enviou milhares de policiais a Jerusalém e limitou o acesso de palestinos para as orações da sexta-feira, as mais importantes da semana, na mesquita de Al Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã, na parte antiga de Jerusalém, acima do Muro das Lamentações, o local mais sagrado do Judaísmo.   Apesar de o autor do ataque não ser da Cisjordânia, o porta-voz governamental israelense Mark Regev cobrou de Abbas mais controle sobre os militantes. "Eles têm claras obrigações de agir contra células terroristas, agir contra a infra-estrutura do terrorismo", afirmou.   A ONU e as principais potências ocidentais condenaram o ataque. Washington acusou a Líbia de ter, com apoio de outros países, impedido o Conselho de Segurança da ONU de qualificar o atentado como "ataque terrorista".   O governo brasileiro manifestou repúdio ao atentado ocorrido em Jerusalém "Ao manifestar suas mais sinceras condolências e solidarizar-se com os familiares das vítimas, o governo brasileiro reafirma seu veemente repúdio a quaisquer atos de terrorismo e reitera seu apelo para que as partes envolvidas cessem todos os atos de violência que possam comprometer o prosseguimento dos esforços de paz em curso, no âmbito dos entendimentos alcançados na Conferência de Annapolis", afirma a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.   (Com Rosana de Cassia, de O Estado de S. Paulo)   Matéria alterada às 12h45.

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