Hamas atrairá 'holocausto' em Gaza, diz vice-ministro de Israel

Uso do termo "shoah" - palavra usada para denominar tanto Holocausto como um "desastre" - causa mal-estar

Agência Estado e Associated Press,

29 de fevereiro de 2008 | 09h52

O vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, afirmou nesta sexta-feira, 29, que o lançamento de foguetes por parte dos palestinos em Gaza pode provocar o que ele chamou de shoah - palavra em hebraico usada para denominar tanto o Holocausto como uma situação de desastre. "Quanto mais intenso for o fogo e quanto maior for o alcance dos foguetes, eles (os palestinos) atrairão para si um shoah ainda maior, pois usaremos todas a nossa força para nos defendermos", disse Vilnai. No entanto, em entrevista ao jornal israelense Haaretz, um porta-voz do Ministério afirmou que o vice-ministro usou a palavra no sentido de "desastre" e disse que "ele não quis fazer nenhuma alusão ao genocídio".  A frase do ministro é especialmente delicada porque a palavra shoah é um termo normalmente usado entre os israelenses para se referir ao Holocausto e pouco usada para se referir a outros assuntos. Segundo a BBC, o representante do Hamas Sami Abu Zhuri afirmou ao Haaretz que "(os palestinos) estão enfrentando novos nazistas que querem matar e queimar o povo palestino", disse.  Ofensiva em Gaza Desde quarta-feira, ataques israelenses contra Gaza provocaram a morte de pelo menos 32 pessoas, inclusive oito crianças - de seis meses a 14 anos de idade. Um estudante israelense morreu ao ser atingido por estilhaços de um foguete palestino na direção da cidade de Sderot.  Líderes israelenses advertiram para uma iminente conflagração na Faixa de Gaza depois de foguetes palestinos terem caído, na quinta-feira, em Ashkelon, uma cidade de 120 mil habitantes. Os foguetes causaram alguns danos materiais em Ashkelon e escoriações superficiais em uma adolescente de 17 anos. Depois do ataque a Ashkelon, Israel ativou um sistema de alerta de foguetes que soa um alarme quando um projétil é disparado contra a área. "Será triste e difícil, mas não temos outra escolha", disse Vilnai, referindo-se a uma operação militar em larga escala que Israel vem preparando para conter os disparos. "Estamos chegando perto de usar nossa força total. Até agora usamos apenas uma pequena porcentagem do poderio bélico por causa da natureza do território", disse Vilnai à Rádio do Exército de Israel.  Israel não pretende desencadear essa ampla operação terrestre dentro das próximas duas semanas, parcialmente porque o comando militar estaria à espera de melhores condições climáticas, disseram fontes na defesa. Mas os preparativos já estão concluídos e o Exército já avisou o governo que está pronto para invadir Gaza assim que for dada a ordem, prosseguiram as fontes. Ato palestino Também nesta sexta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas de Gaza para os funerais das 32 pessoas mortas desde quarta-feira. O primeiro-ministro Ismail Haniye, chefe do governo do Hamas em Gaza, falou para cerca de 2 mil pessoas em um sermão religioso que marcou sua primeira aparição pública em quase um mês. Os líderes do governo palestino em Gaza evitaram aparições públicas por medo de se tornarem alvos de tentativas de assassinato por parte de Israel. Já o influente chefe dos serviços secretos do Egito, Omar Suleiman, cancelou uma visita a Israel na próxima semana por causa da violência, disse uma fonte israelense. Funcionários egípcios não foram encontrados para comentar o assunto. Na viagem, Suleiman deveria reunir-se com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. No Cairo, a chancelaria egípcia informou que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, se reunirá com Suleiman e com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, durante uma visita ao Oriente Médio na próxima semana. Eles deverão discutir as perspectivas para o processo de paz entre israelenses e palestinos. 

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