Hamas contesta declaração de Abbas sobre trégua com Israel

Palestino afirma que cessar-fogo seria resposta à garantia de que líderes da facção não seriam atacados

REUTERS

11 de março de 2008 | 11h26

O Hamas rebateu nesta terça-feira, 11, a afirmativa feita pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, um adversário do grupo, sobre os ativistas islâmicos estarem tentando chegar a um cessar-fogo com Israel devido ao temor de que seus líderes continuem sendo assassinados pelos israelenses. O grupo, que assumiu o controle da região ao expulsar dali, em junho passado, a facção Fatah, de Abbas, tinha parado de atacar Israel há sete dias. Porém, rebeldes palestinos dispararam um foguete rústico na direção da cidade israelense de Ashkelon, informou a polícia local nesta terça-feira."Essas declarações não passam de mentiras cujo objetivo é manchar a imagem do Hamas", afirmou Sami Abu Zuhri, uma autoridade do grupo islâmico, em um comunicado divulgado em meio a um momento de calmaria entre Israel e os militantes da Faixa de Gaza, território controlado pelo Hamas.  "Os líderes do Hamas querem o martírio e nunca fariam uma barganha envolvendo o sangue de seu povo como fazem outras pessoas", disse Abu Zuhri.  Em Amã, na segunda-feira, Abbas afirmou que o Hamas e a Jihad Islâmica, os principais responsáveis pelos foguetes lançados da Faixa de Gaza contra Israel, desejavam em troca de um cessar-fogo garantias de que seus líderes não seriam atacados. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ameaçou investir contra todos os responsáveis pelos foguetes, alimentando especulações de que a direção política do Hamas estivesse na linha de fogo.  O governo israelense assassinou os líderes do Hamas Ahmed Yassin e Abdel Aziz al-Rantissi, na Faixa de Gaza, em 2004. Antes do incidente desta terça, as forças israelenses interromperam suas operações por terra e por ar contra a Faixa de Gaza desde que concluíram, na segunda-feira passada, uma ofensiva de cinco dias que matou 120 palestinos, cerca de metades deles civis. Uma trégua na Faixa de Gaza é fundamental para os esforços de paz mediados pelos EUA e que envolvem Israel e Abbas. Não obstante a grande carga de pessimismo existente em torno do processo, o governo norte-americano espera ver selado, até o final do ano, um acordo para a criação de um Estado palestino. O principal negociador de Abbas, Ahmed Qurie, disse na cidade de Ramallah (Cisjordânia) que o anúncio feito por Israel no domingo sobre a construção de centenas de novas casas em Givat Ze'ev, um assentamento judaico da Cisjordânia, significa "um golpe contra o processo de paz." Mas, segundo Qurie, as negociações com Israel seguiriam adiante. Comentando a respeito dos esforços do Egito como mediador dos contados entre o Hamas e Israel, Qurie disse ter esperanças de "ver esses esforços darem resultado ao longo da próxima semana."

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