Hamas desmente Carter e diz que não reconhecerá Israel

Líder do grupo afirma que aceita a formação do Estado palestino com as fronteiras anteriores à ocupação

Agências internacionais,

21 de abril de 2008 | 13h09

Contrariando as afirmações do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, o líder do grupo palestino Hamas, Jaled Mashaal, declarou nesta segunda-feira, 21, que o movimento está disposto a aceitar um Estado palestino com as fronteiras de 1967, mas "não reconhecerá o Estado de Israel". As declarações foram dadas em Damasco, na Síria.  Veja também:  Hamas está pronto para aceitar Israel 'como vizinho', diz Carter Em missão pelo Oriente Médio, Carter se encontrou na semana passada com líderes do Hamas na Síria. Mais cedo, o ex-presidente afirmou que o Hamas estaria preparado para aceitar o direito de Israel de "viver como um vizinho em paz". Mashaal afirmou posteriormente que o futuro Estado palestino deve necessariamente ter Jerusalém como sua "genuína" capital. Ele não deixou claro, porém, se o grupo exige a cidade inteira como sua capital ou apenas o lado de predominância árabe. O líder do Hamas reiterou a posição de que aceitaria a existência do Estado de Israel desde que dentro das fronteiras existentes antes da guerra de 1967, quando foram conquistados a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas do Golã. Além disso, Mashaal afirmou que o Estado palestino deverá ser soberano, sem colônias israelenses e exigiu o direito de regresso dos refugiados palestinos. Carter, que está em Jerusalém nesta segunda-feira, foi criticado pelos Estados Unidos e por Israel por visitar Damasco, a capital da Síria, para se encontrar com o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, na semana passada. "O problema não é que eu me encontrei com o Hamas na Síria. O problema é que Israel e os Estados Unidos se recusam a se encontrar com alguém que precisa estar envolvido (nas negociações)", disse Carter em discurso no Conselho Israelense para Relações Exteriores.  Historicamente, o movimento islâmico palestino nunca aceitou a existência de Israel nem a possibilidade de negociar um acordo de paz. Na carta de fundação do Hamas, ainda aparece uma chamada à destruição do Estado judeu e a recuperação da Palestina histórica pela via da resistência.

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