Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Hamas diz que continua respeitando trégua apesar da morte de palestino

Grupo que governa a Palestina apresentará ao Egito uma queixa contra Israel pela morte de Anwar Abdul Hadi Qudai

estadão.com.br,

23 de novembro de 2012 | 15h43

(Texto atualizado às 17h37) GAZA - O grupo Hamas, que governa a Palestina, afirmou que continua respeitando o cessar-fogo com Israel, mesmo depois da morte de um palestina na Faixa de Gaza, mas anunciou que apresentará ao Egito, fiador do acordo, uma queixa pela morte de Anwar Abdul Hadi Qudai, de 20 anos. "Entraremos em contato com o mediador egípcio para discutir o incidente", assegurou, em comunicado, o porta-voz do movimento islamita, Sami Abu Zuhri. "Israel violou o cessar-fogo", disse Zuhri, acrescentando que seu movimento "ainda não decidiu como responderá, mas espera que novas violações não voltem a acontecer."

Qudai participava, junto com um grupo de palestinos das aldeias de Al Garara e Abasan, de uma manifestação de protesto contra Israel junto à cerca que separa ambos os territórios, na altura da cidade de Khan Yunes. Segundo várias testemunhas de Abasan, "um grupo de agricultores tentou se aproximar das fazendas perto da cerca e os soldados dispararam e feriram seis deles."

"Depois do fato, dezenas de moradores organizaram uma passeata em direção à fronteira, e um dos manifestantes que levava uma bandeira palestina correu rumo à 'zona de segurança' e os soldados o mataram", explicaram. A chamada "zona de segurança", que em alguns trechos chega a ter 500 metros, é uma faixa delimitada há anos por Israel que impede o acesso aos palestinos de Gaza, apesar de se encontrar de seu lado da fronteira.

A Jihad Islâmica, o segundo movimento em importância na Faixa de Gaza depois do Hamas, afirmou que o ataque se trata de uma "violação" ao acordo, porque o cessar-fogo inclui também a zona contígua à fronteira, segundo o xeque Nafez Azam, um de seus dirigentes.

Após uma investigação, o Exército israelense confirmou que seus soldados abriram fogo contra "cerca de 300 manifestantes que provocaram desordens, tentaram entrar em Israel e causaram danos na cerca". "Os soldados (...) dispararam para o ar em sinal de advertência e quando viram que os manifestantes não se afastavam dispararam em suas pernas", acrescentou.

Israel negou que as pessoas fossem agricultores e sustenta que um dos palestinos que participou dos protestos conseguiu inclusive "abrir passagem através da cerca e entrar em Israel", onde foi detido e pouco tempo depois devolvido a Gaza.

O Egito ainda não se pronunciou sobre o fato. O presidente Mohamed Morsi conseguiu na quarta-feira, após oito dias de hostilidades, um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.   Pelo acordo, uma primeira fase consiste em as partes se comprometerem a não realizar atividades de caráter ofensivo e uma segunda, "após 24 horas", seria negociado o alívio do bloqueio à Faixa de Gaza, além da liberdade de movimentação de pessoas e mercadorias.

Um negociador israelense viajou nesta sexta-feira ao Cairo para acompanhar as negociações, informou a edição digital do jornal Yedioth Ahronoth. Enquanto se ativa a segunda fase, o número de mortos na faixa como consequência da operação militar voltou a subir com a morte de dois feridos em um bombardeio israelense na terça-feira à noite.

Ashraf Al Qedra, porta-voz do ministério da Saúde do Hamas, informou que, por enquanto, o número de mortos chega a 166 - sem incluir os de hoje - e os feridos a cerca de 1.300. Em Israel, onde o balanço de vítimas é de seis mortos e meia centena de feridos, a imprensa local fez estimativas do impacto que a ofensiva pode chegar a ter nas eleições do dia 22 de janeiro.

Eleições em Israel

Uma pesquisa do jornal Maariv reflete que a coalizão Likud Beiteinu, aliança formada pelo primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o titular das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, mantém a ampla vantagem em intenção de votos que tinha há duas semanas.

Segundo a pesquisa realizada pelo instituto Maagar Mohot, esta aliança política obteria 37 das 120 cadeiras do Parlamento israelense (Knesset), e governaria o país à frente de um bloco de direitas de 70 deputados, frente aos 50 da centro-esquerda.

Com Efe e Reuters

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