Hamas diz que rejeitará trégua se bloqueio a Gaza continuar

Líder islâmico afirma ter recebido apenas 'propostas vagas' de cessar-fogo egípcio; resposta será dada no sábado

Agências internacionais,

06 de fevereiro de 2009 | 14h31

O grupo islâmico Hamas rejeitará uma trégua de longo prazo com Israel, que está sendo mediada pelo Egito, se o acordo não incluir o levantamento do bloqueio contra a Faixa de Gaza, declarou o líder do movimento Khaled Meshaal nesta sexta-feira, 6. Em um discurso em Damasco, Meshaal afirmou que o Hamas recebeu apenas propostas "vagas" do Egito sem o comprometimento de Israel para abrir as fronteiras, que o grupo considera punição ilegal para os 1,5 milhão de palestinos que vivem na faixa.   "Não vamos aceitar uma trégua até que em troca haja o levantamento do cerco, a abertura das fronteiras e a aceleração da reconstrução de Gaza", declarou o líder islâmico. Os oficiais do Hamas devem retornar ao Cairo no sábado para dar uma resposta final às propostas que visam uma trégua de 18 meses com Israel após sua ofensiva em Gaza, que foi interrompida em janeiro.   Veja também: ONU suspende ajuda em Gaza após Hamas confiscar suprimentos Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza        O grupo citou o bloqueio contra a faixa como motivo principal para uma antiga trégua de 6 meses com o Estado judeu não ter sido renovada em dezembro, pouco antes do início da ofensiva que deixou mais de 1,4 mil palestinos mortos.   Mais cedo, o dirigente número 2 na hierarquia do Hamas, Moussa Abu Marzuk, reiterou sua rejeição a vincular a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, mantido em cativeiro, com o fim do bloqueio de Israel a Gaza em declarações publicadas pelo jornal árabe Al-Hayat. "Rejeitamos totalmente relacionar a libertação do militar israelense Gilad Shalit com o fim do bloqueio", afirmou Abu Marzuk, que vive exilado em Damasco.   Abu Marzuk assinalou que a libertação de Shalit, capturado em junho de 2006 por milicianos palestinos em Gaza, nunca ocorrerá a menos que em uma troca de prisioneiros. "Nunca sucumbiremos ao 'suborno'", disse o dirigente do grupo islâmico, que controla a Faixa de Gaza desde que a tomou pelas armas da Autoridade Nacional Palestina (ANP).   Há dois dias, outro membro do Hamas, Salah Bardawil, integrante da equipe que negocia no Cairo uma trégua permanente com Israel, revelou que os israelenses tinham oferecido permitir a entrada em Gaza de 75% dos produtos que atualmente proíbe, em troca da entrega de Shalit.   Por outro lado, Marzuk acrescentou que seu grupo continuará fiel a suas posturas até que, segundo ele, "os palestinos obtenham seus direitos". "Como é possível que o povo palestino sobreviva, enquanto Israel segue rejeitando a abertura das fronteiras e o levantamento do embargo?", perguntou o chefe do Hamas.   Segundo Israel, o fechamento das fronteiras é necessário para impedir que o Hamas receba armas contrabandeadas para atacar seu território. Ainda nesta sexta, as autoridades egípcias ordenaram o fechamento da passagem fronteiriça de Rafah, entre Egito e Gaza, que a partir de agora só será aberta para casos humanitários.

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