Hamas diz que saída de Olmert é 'vitória' palestina

Para grupo islâmico que controla Gaza, renuncia de premiê é indício de deterioração da vida política de Israel

Efe e Reuters,

31 de julho de 2008 | 08h49

O movimento islâmico palestino Hamas qualificou nesta quinta-feira, 31, como uma "vitória" para os palestinos o anúncio do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de deixar o poder em setembro.   Veja também: Oposição pede eleições para substituir premiê israelense Premiê israelense deve deixar o cargo em setembro Abbas promete manter negociação com sucessor  Anúncio de premiê diminui esperanças de acordo de paz  Austero e desastrado, premiê vê popularidade despencar    A decisão de Olmert "é uma vitória para o Hamas e um indício da deterioração da vida política em Israel", disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas na faixa. A Jihad Islâmica anunciou em seu site que a decisão de Olmert é "uma conquista do Hezbollah e dos ataques com foguetes palestinos contra Israel".   Saeb Erekat, negociador palestino no processo de paz com Israel, disse em Washington à emissora de rádio Voz da Palestina que "a situação interna em Israel é refletida nos palestinos com sangue, balas, assassinatos e expansão de assentamentos".   No entanto, assegurou que "independentemente do que acontecer em Israel, os palestinos vão continuar se esforçando para alcançar um acordo de paz". Além disso, Erekat pediu que as mudanças no governo israelense "não se reflitam no processo de paz com os palestinos".   Abalado por escândalos de corrupção, Olmert jogou a política israelense em turbulência na quarta-feira ao anunciar que deixará o cargo após 17 de setembro, quando seu partido, o centrista Kadima, deve escolher um novo líder. Mas isso pode fazer com que seu sucessor leve meses para conseguir formar uma nova coalizão, deixando Olmert no papel de primeiro-ministro interino, possivelmente até o ano que vem, caso novas eleições, defendidas pela oposição de direita, sejam convocadas.   Uma autoridade próxima a Olmert, que falou na condição de anonimato, disse que o premiê pretende chegar a um acordo com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, "antes de sair", seja no seu papel atual ou como interino. Analistas, no entanto, duvidam que Olmert terá a musculatura política necessária para fechar compromissos, sejam eles relativos a negociações finais com os palestinos, ou nas atuais conversas com a Síria mediadas pela Turquia.   Quatro ministros do Kadima, incluindo a responsável pela pasta do Exterior, Tzipi Livni, e o comandante da área de Transportes, Shaul Mofaz, lançaram campanhas para substituir o premiê na votação de 17 de setembro. As pesquisas dentro do Kadima mostram Livni, chefe das negociações com os palestinos, liderando na preferência dos integrantes da legenda.

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