Khaled al-Hariri/Reuters
Khaled al-Hariri/Reuters

Hamas e grupos seculares se opõem a diálogo direto com Israel

Negociações só poderiam ser retomadas sob supervisão internacional e após fim do bloqueio a Gaza

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

15 de agosto de 2010 | 16h38

Duas organizações palestinas seculares se juntaram neste domingo,15, ao Hamas num chamado para que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não ceda às pressões dos Estados Unidos para a retomada de negociações diretas de paz com Israel.

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"Insistir no diálogo direto é jogar um salva-vidas para Israel, já que o isolamento do país se aprofunda", declarou o Hamas em comunicado conjunto divulgado depois de uma reunião na capital síria com outras organizações palestinas, entre elas a Jihad Islâmica.

"Um retorno à negociação direta serve aos Estados Unidos e ao objetivo sionista de liquidar os direitos nacionais do povo palestino", acrescentou o comunicado.

O comunicado foi lido por Maher al-Taher, líder da Frente Popular de Libertação da Palestina, que não costuma seguir a linha do Hamas.

A Frente Democrática de Libertação da Palestina, uma organização que há muito defende negociações com Israel e tem um ministro na Autoridade Palestina, também assinou o comunicado.

Segundo eles, o diálogo direto só pode ser retomado sob supervisão internacional e após o fim do cerco à Faixa de Gaza.

Khaled Meshaal, líder do Hamas, afirmou que a reunião foi "excepcional", por ter unido 11 grupos que representam o que ele descreveu como a maioria dos palestinos.

A divisão entre o Hamas, apoiado pela Síria e o Irã, e a Autoridade Palestina, de Abbas, apoiada pelos EUA, tem enfraquecido a causa palestina.

O Hamas não descarta negociações de paz com Israel se o país respeitar o que o grupo considera direitos dos palestinos.

A mídia israelense relatou que Israel rejeitou a proposta palestina de retomar o diálogo de paz direto com base num comunicado dos mediadores internacionais de março.

Abbas indicou que ele poderia aceitar negociações cara a cara, se o diálogo fosse baseado no comunicado de 19 de março dos quatro mediadores da discussão: EUA, União Europeia, Rússia e Nações Unidas.

O comunicado do quarteto diz que Israel deveria interromper a construção de assentamentos na Cisjordânia e alcançar um acordo de paz com os palestinos em 24 meses, dando origem a um Estado palestino com base nas fronteiras existentes antes da guerra de 1967.

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