Hamas e Israel anunciam cessar-fogo em Gaza separadamente

O Hamas e seus aliados islâmicos declararam no domingo cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e deram a Israel, que já havia anunciado uma trégua unilateral, uma semana para retirar suas tropas do território. Um porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse em resposta: "Nós vamos tocar isso dia-a-dia. Nós vamos ver como vai. Nós queremos deixar Gaza. Vamos fazer isso tão cedo pudermos". Tropas e tanques retornam pela fronteira desde o amanhecer, e o Exército confirmou ter iniciado a retirada após três semanas de guerra em que 10 soldados israelenses e mais de 1.300 palestinos foram mortos. Três civis israelenses também morreram. Em Gaza, famílias começaram a sair de seus refúgios, incluindo áreas da Organização das Nações Unidas (ONU) onde cerca de 45 mil pessoas procuraram abrigo durante os combates. Alguns encontraram suas casas danificadas ou destruídas. O Hamas anunciou um cessar-fogo cerca de 12 horas após a iniciativa unilateral de Israel. O grupo palestino também disse que Israel, que lançou sua ofensiva em 27 de dezembro, tem uma semana para retirar suas tropas de Gaza. Autoridades do Hamas que estão em negociações com o Egito, no Cairo, para a solução do conflito de 22 dias, também disseram que o movimento exige a abertura de todas as fronteiras de Gaza para a entrada de "todos os materiais, alimentos, bens e produtos básicos". O grupo islâmico disse anteriormente que não iria interromper os ataques enquanto os soldados israelenses permanecessem na Faixa de Gaza. Sem um acordo formal entre os dois lados, apesar dos esforços de mediação do Egito, a situação se assemelha à anterior ao conflito: a ausência de um acordo e um futuro terrível para 1,5 milhão de pessoas em Gaza cercadas por um bloqueio com o objetivo de punir o Hamas por seus ataques e ambições de destruir o Estado judeu. Com a recuperação dos corpos dos militantes do Hamas das subitamente silenciosas regiões urbanas de batalha, autoridades médicas locais disseram no domingo que 700 dos 1.300 mortos são civis. Os principais jornais de Israel trouxeram fotos de tropas israelenses vitoriosas nas capas de domingo, mas alguns comentaristas avaliam se o conflito piorou as possibilidade de paz em Gaza. Cerca de 17 mísseis atingiram o sul de Israel após o cessar-fogo anunciado por Olmert entrar em vigor, às 2 horas da manhã (22 horas em Brasília). Israel respondeu com dois ataques aéreos contra os locais de lançamento. Voluntários da área médica disseram que um civil palestino foi morto. Apesar dessas violações, os Estados Unidos saudaram o cessar-fogo e a ONU expressou seu alívio. "O objetivo continua a ser um cessar-fogo durável e totalmente respeitado, que vai levar à estabilidade e à normalidade em Gaza", disse a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Um porta-voz do presidente eleito, Barack Obama, disse que ele deu boas-vindas à trégua e que irá falar mais sobre o assunto após sua posse, na terça-feira. Em Jerusalém, Mark Regev, porta-voz de Olmert, deu esperanças de que as fronteiras em Gaza seriam reabertas se a trégua persistir: "Se o cessar-fogo permanecer, e eu espero que sim, você vai ver as passagens abertas para uma quantidade enorme de ajuda humanitária". Em um resort no Egito, líderes do Reino Unido, da República Tcheca, Egito, França, Alemanha, Jordânia, Espanha e Turquia e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fizeram uma reunião para tratar do conflito entre israelenses e palestinos. Eles se encontraram para apoiar os esforços do Egito em transformar uma instável trégua em um acordo sólido para a retirada de Israel. Na cidade de Beit Lahiya, na Faixa de Gaza, ambulâncias palestinas recolhiam mais de 95 corpos, muitos de militantes. O número de civis mortos e a destruição na Faixa de Gaza gerou forte pressão internacional sobre Israel para interromper a ofensiva lançada com o objetivo declarado de acabar com os ataques a mísseis que mataram 18 pessoas nos últimos oito anos. (Reportagem adicional de Yannis Behrakis, Adam Entous, Luke Baker, Alastair Macdonald, Alistair Lyon, Dan Williams e Ori Lewis, em Jerusálem; e Alaa Shahine, no Cairo)

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